e-entrevista – Paulo André – Produtor do Festival Abril Pro Rock

Paulo André
Paulo André

O homem por trás do festival Abril Pro Rock, Paulo André, fala sobre festivais, mercados e cena pernambucana.

O Abril Pro Rock ajudou a colocar a música pernambucana em evidencia. Contribuiu para revelar nomes como Chico Science e Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e toda uma cena pernambucana. Mais do que isso, durante um tempo foi o principal posto de lançamento de novos nomes para a música pop brasileira, revelando para a grande indústria nomes como Los Hermanos e Penélope. Entre momentos históricos, o festival trouxe alguns dos shows gringos de médio porte inesquecíveis, como o show de Jon Spencer Blues Explosion. O festival virou referência nacional, por apostar em um circuito alternativo quando este ainda não estava tão consolidado. Mais, mostrou que era possível viabilizar um festival de porte, com boa estrutura no Nordeste. Acabou servindo de exemplo para vários outros que vieram em seguida. Por estas e outras, o Abril Pro Rock se tornou o festival mais importante do país. Batemos um papo online com Paulo André, o homem por trás do Abril Pro Rock. Produtor do festival e responsável por levar várias bandas pernambucanas para turnês pela Europa, além de organizar o Porto Musical e coletâneas com artistas pernambucanos e nordestinos para o mercado internacional. Começamos com ele um série de entrevistas com os produtores dos principais festivais independentes do país.

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el Cabong – Bom, primeiro gostaria que você falasse desse processo que é montar o Abril Pro Rock hoje, quais as dificuldades? Porque o que parece é que atualmente há ferramentas que facilitam, como a ABRAFIN, os editais, qual a realidade?

Paulo André – As dificuldades são as mesmas, pois passados 15 anos muitas coisas mudaram, outras continuam as mesmas. Um exemplo prático é a questão das rádios. Não temos uma única rádio aqui (em Recife) que toque Nação Zumbi e Siba por exemplo. Nomes que estavam na listas dos melhores CDs de 2007, com reconhecimento internacional. Nem parece que são daqui, são literalmente ignorados pela mídia local, com exceção dos cadernos culturais. Outro gargalo são as casas noturnas, são pouquíssimas no Norte/Nordeste e particularmente achei os resultados de público do (festival) Nordeste Independente, bem aquém do potencial e das expectativas. Só mostra que tem muito trabalho a ser feito ainda. A Abrafin nos fortaleceu, deu visibilidade ao nosso trabalho e atraiu o Minc e a Petrobras, por exemplo. Provocamos o edital dos festivais, que funcionou muito bem.

el Cabong – Você acha que esse discurso que o mercado independente consegue hoje sobreviver sem a mídia, sem gravadoras, não é real?

Paulo André – Para uns sim, para outros não. Depende de onde a banda vive, de que região, da realidade distinta de cada região. Se não fosse assim, bandas como como Rockassetes, Cascadura e Astronautas não se mudariam pra São Paulo. Para falar das bandas menores, mais independentes. Tem aquelas com potencial internacional, que tem uma segunda opção de desenvolvimento de carreira, podendo ter paralelamente o mercado brasileiro e o gringo. Sem dúvida o mercado independente está mais fortalecido e grande, como nunca. Isso é um avanço absurdo. Bandas, iniciativas e festivais legais em todas as regiões do Brasil. Isso não existia quando comecei minha carreira de produtor há quase 20 anos.

el Cabong – Mas o Cascadura foi para São Paulo e aprendeu que o melhor seria voltar e trabalhar direito aqui, hoje está com um público que nunca tiveram, shows frequentes e sobrevivendo de música e afins.

Paulo André – Pois é, São Paulo é muito caro comparado ao Nordeste e, nem todo mundo está preparado. O problema é que o mercado na região Norte/NE é muito muito restrito, apesar dos festivais etc. Seria legal que bandas desse porte pudessem tocar duas vezes por ano nas capitais, por exemplo, mas não é bem assim. É difícil, pois não trazemos o tipo de show que a maioria das pessoas conhecem. Tenho ouvido por exemplo das pessoas comuns, que só conhecem Lobão da programação de 2008. O motivo maior é falta de visibilidade dos artistas de médio porte e emergentes na mídia, mas principalmente nas rádios. Então, vamos contra a corrente. Não temos nem uma rádio como a Educadora de Salvador ou a Aperipê de Aracaju. A Universitária FM da UFPE, está atrasada 30 anos. O resto é de rede: Transamérica, Jovem Pan, Oi FM. Todas com “mais do mesmo” e quase nada de ousadia.

el Cabong – Engraçado que vi pessoas daqui se assustando com seus comentários sobre a reaidade do Recife, como se dissessem que se ai é ruim, imagine aqui. O que vejo é que cada cidade tem coisas que funcionam e outras que não. Aqui, por exemplo, ainda precisamos de um festival maior que se consolide de fato, que se mantenha e que traga as novidades que estão rolando pelo país.

Paulo André – Aí vocês tem, bem ou mal, o Boomerangue, as festas semanais como a sua. Aqui…

el Cabong – A Nave é mensal.

Paulo André – Aqui, nem mensal. Tenho uma lista de 20 casas noturnas que fecharam de 2005 pra cá. Todas “mais do mesmo” voltadas pra balada, sem conteúdo, com música ao vivo ruim, cover etc. Todas ignorando a cena local, com no máximo Del Rey (n.e.: banda de covers de Roberto Carlos formada por China e integrantes do Mombojó). Aí tem rádio, casa e festa legal. Aqui tem a cena, festivais e shows de graça, além sérios gargalos.

el Cabong – Acho pertinente isso, acho que Salvador evoluiu bastante, apesar de poucos concordarem comigo. Como viabilizar um festival como o APR hoje?

Paulo André – Cara, tem que conhecer o mercado local, a realidade nacional , mas principalmente ser bem intencionado. Se for pensar no lucro, tá ferrado. Já passei dois anos trabalhando para pagar preju de mais de 100 mil reais. O Foca está pagando preju do Do Sol de 2007. Os festivais ligados a Abrafin, vivem desse mercado, trabalham o ano todo nele, são agências artísticas, produtoras, Casas, selos, bandas. Enfim tem que ser alguém ligado a cadeia produtiva da musica local, com bom relacionamento com patrocinadores. O APR não existiria mais se não fosse a Petrobrás e o Governo de Pernambuco.

el cabong – Uma questão que sempre colocam, inclusive aqui em discussões no el Cabong, é quanto a escalação de bandas. Sei que esse ano deu uma mudada e quero falar isso mais na frente, mas no geral, como é o critério de escolha para bandas?

Paulo André – Bandas que estão com atuação constante no mercado, tocando, lançando etc. Em relação as gringas, depende da parceira com outros produtores brasileiros, é mais complicado trazer diretamente, do que dividir com outras datas no Brasil. Esse ano convidei, pela primeira vez 2 pessoas com quem já me relaciono há algum tempo, inclusive em curadorias como a do Microfonia (www.festivalmicrofonia.com.br) o Bruno (Nogueira – jornalista do Pop Up) e o Guilherme (Moura – criador do site Recife Rock), que me ajudaram na escolha das bandas, foram pra o Do Sol, Noise, etc….

el Cabong – Mas o que se nota, é que o APR deu uma mudada no perfil, esse ano está mais rock. E deixou de lado aquela idéia que caracterizava o festival de reunir num mesmo espaço grupos de música popular tradicional, eletrônica etc.

Paulo André – Pois é….que cidade do Brasil tem de graça Manu Chao, Marisa Monte, Paralamas, Pato Fu, Milton Nascimento, todos os pernambucanos de médio e grande porte, com 2/ 3 show …tudo isso gratuito? Recife se transformou na maior Casa de shows abertos ao publico do Brasil. Por isso, fomos em um caminho bem diferente do que rolou entre “ciclo natalino” (até La Pupuña tocou) ao Carnaval pop. Focamos no público Rock que não é contemplado nesses exemplos. O sábado é a mistura da sexta e do domingo dos últimos anos. É só ver a ausência das bandas de médio e grande porte daqui na programação, todo mundo farto de shows delas aqui nos últimos tempos. Não estamos investindo no público pop, que vai ver um Rappa, um Los Hermanos, estamos investindo no publico mais rock em 2008.

el Cabong – Aqui teve de graça no carnaval (quem quisesse saia no bloco, mas era de graça para quem quisesse ver.

Paulo André – O Carnavla aqui virou pop, mas em palcos, não em trios. E, não é só isso tem Sábado Mangue (seja lá o que isso signifique) da Prefeitura com bandas ruins (na maioria) todo sábado, tem Ciclo Natalino que toca Vamoz, La Pupuña etc. O mais triste disso é ver bandas novas e veteranas, sobrevivendo de dinheiro público. Em breve é a vez do Festival de Inverno de Garanhuns.

el Cabong – É uma discussão que Salvador deve viver, já que aqui temos uma necessidade de shows fora do circuito axé, nem tudo dá para ser feito pelos produtores menores. Não acha que há uma função do governo nisso também?

Paulo André – Sim. O Governo tem fundamental papel nisso, mas quase sempre veem as cenas menores como inexpressivas, não dão o devido valor. Se não fosse o Governo, Chico Science e Nação Zumbi não teriam tido carreira internacional, nem o Abril Pro Rock existiria, mas te garanto todo dinheiro público que recebi, dei de volta 10 vezes mais em visibilidade ao Estado. É só ver a crítica da Spin de Fev/08, da coletânea “What´s happening in PE – new sounds from the brazilian northeast”, começa com “what the hell is Pernambuco ??”. Estamos levando o nome do Estado pro mundo e em veículos que nunca sequer publicaram o nome do estado.

el Cabong – Você falou das atrações gringas, que parece ser o caminho para atrair o público a pagar. Salvador vive um problema sério, não consegue entrar no circuito destes shows, apesar de já ter dado provas que o público comparece, vide casa cheia em shows de gente não tão conhecida do grande público, como Placebo e Madeleine Peyroux. Como viabilizar isso? O que acha que pode viabilizar isso por aqui?

Paulo André – Só mesmo a abertura de cabeça dos produtores daí, que encheram o c…de grana com o axé, mas não sacam nada além disso. É igual aos ex-donos de bloco do Recifolia, só produzem mais do mesmo e, nunca ousam. Não são produtores, são comerciantes. Não criam conceito ou correr riscos ou apostar, não consta no dicionário deles.

el Cabong – Eu não espero que isso venham deles, sinceramente.

Paulo André – Então, tem que surgir uma nova geração de produtores…ousados, atrevidos e afoitos.

el Cabong – Acho que os produtores que não são desse meio poderiam tentar viabilizar, mas acho que a dificuldade é grana de patrocinadores que não tem visão, as rádios que não sabem nem quem é Monobloco…

Paulo André – Pois é, falta mesmo é visão e ousadia….

el Cabong – Para terminar. Eu acho que não existe fórmula, mas que caminho indica para uma banda se dar bem no mercado atual?

Paulo André – Trabalhar, trabalhar e trabalhar. Pensar grande, se comunicar com o mundo, não enxergar a internet como vilã, mas como aliada.

  1. Muito boa a entrevista do Paulo André, aliás, foi um bate papo. Já que o Luciano falou quase tanto quanto o cara. :>)
    Lembro de ter visto o Paulo André no Abril Pro Rock passado com a cara de quem estava indo em direção a forca.
    Achei a programação desse ano(segundo dia) bem boa, a cara tirou leite de pedra.

  2. Esclarecedora a entrevista. Reforça minha opinião sobre as diferenças Ba/Pe sobre politica cultural.Ja conversamos pessoalmente algumas vezes sobre estes assuntos. . Ficou claro que algumas das queixas de P.A. são dirigidas ao patrocinio estatal para shows de artistas como Manu Chao, Fatboy Slim, ect., que oferecidos de graça eliminam a chance de se fazer o evento pago. O oposto que acontece(u) na Bahia. Nos ultimos vinte anos o patrocinio estatal para eventos culturais na Bahia foi direcionado ao Axé, e a produtoras que tinham ligação politica com o grupo carlista, e desgraçadamente não tinha ninguem nas hostes governamentais que gostasse de qualquer coisa ligada a cena alternativa , pelo contrario, varias pessoas em postos chave odiavam coisas alternativas, rock então, odio era pouco. Em algumas destas ocasiões estive presente, portanto fui tesmunha. Não importava que o evento tivesse grande alcance nacional , se não estivesse ligado a “baianidade” ligada ao carlismo, não rolava, mesmo que vc tivesse bons contatos la dentro. Mas o pior é na iniciativa privada, vaaaarriiiaaasss campanhas e patrocinios que fazem parte do calendario nacional de marketing de grandes empresas , quando chegam para a Bahia tem sua a verba destinada ao carnaval e afins, trabalhei anos numa grande cervejaria , e a chance de se apoiar eventos alternativos é quase nula. As vezes que apoiei eventos de Rock, fui imediatamente chamado a atenção. porque os eventos de carnaval(e afins) davam mais retorno, e alem de tudo eram frequentados pela elite local.E olha que eu tinha uma autonomia fudida, mas rock na Bahia sempre foi considerado desperdicio de grana pelas grandes empresas. E foi durante este periodo que conheci ( e ainda conheço) muitissimo bem a grande maioria dos grandes produtores de eventos da Bahia, todos eles ( com uma exceção) ligados ao Axé e forró(brega).. Luciano, chance ZERO, de algum deles fazer qualquer coisa significativa ligada ao pop, rock ect.. só se alguem do rock namorar a cantora famosa, mas cabou o namoro cabou patrocinio.Então, por favor Luciano, PARE com este papo de que os produtores deveriam patrocinar este ou aquele evento, que deveriam ousar, ect .Eles so vão investir dentro da otica deles que a do retorno financeiro, e eles naõ estão errados , a grana é deles e eles tem verdadeiro desprezo pelas atividades que pessoas feito nós, acham uma grande bobagem, que não da grana, principalmente no meu caso..Ja te falei algumas vezes sobre isto.. Por fim concordo que as coisas estão um pouco melhor, ainda tenho esperança que uma politica cultural mais avançada pode trazer frutos pra bahia, alem de despertar a iniciativa privada com alguns incentivos,

  3. Oswaldo,
    N aentrevista, Paulo diz que esses produtores do Axé poderiam fazer, eu digo que duvido disso. Então ele fala dos novos produtores, esses sim deveriam, bastam ser mais ousados etc. Isso sim eu acredito. Falta ousadia, falta encrar mais e saber vender. A Secretarai de Cultura está abrindo varias possibilidades. Falta tentar mais. Falta MUITO o empresariado mudar a cabeça, isso sem duvida, mas ta na hora de alguem mostrar que é possivel.

  4. Luciano,
    . Os raros produtores e empresarios que investiram nesta area alternativa , todos perderam a grana investida, porque agiram so com a vontade de mudar as coisas. Só que as coisas não são assim. Empresario nenhum vai ( não deveria) investir pesado sem perspectiva de retorno , no minimo, do capital investido. Uma forma de começar a mudar isso é uma politica cultural que incentive cenas mais alternativas, isto feito de uma forma que sinalize as empresas privadas que este tipo de iniciativa tera algum apoio da politica cultural e é bem visto. Mas isto só durante um periodo, o estado não deve bancar para sempre,até que este mercado amadureça e que tenhamos, por exemplo, um festival do porte do Abril Pro Rock. algumas das coisas que P.A se queixa,. na Bahia seriam uma benção (da-lhe bispo macedo) , .Mas pelo que vc ta falando este estado de coisas vai mudar.. então força na peruca .. e parabens ao boomerangue e a radio educativa.

  5. Não adianta esperar nada desses produtores estabelecidos, eles jamais vão botar o deles na reta. Não é o mundo deles, eles não entendem nada que esteja além do curralzinho do axé-pop-brega radiofônico. PA está certo quando diz que tem que aparecer uma nova geração de produtores ousados, espertos e, MAIS IMPORTANTE: BEM RELACIONADOS. Acho que esse momento de suposta abertura da Secult para projetos difereciados é uma boa oportunidade para pessoas como nosso herói Messias, Sandro Satã (e outros) meterem a mão na massa e incluírem a Bahia nesse circuito de shows internacionais de médio porte. Ou vcs duvidam que um show NY Dolls / The Datsuns (com Cascadura abrindo) na Concha ia ficar vazio? Eu acho – digo, tenho certeza – que não. Uma coisa é certa: não adianta mais esperar que algo assim venha de produtores estabelecidos. É chutar cachorro morto.

  6. Relendo o trecho do show (de sonho) na Concha aí em cima, fiquei com medo de ter me expressado mal. O que eu quis dizer é que, com o devido investimento em divulgação (lembram dos outdoors e mobiliários urbanos do Placebo que se espalharam pela cidade em 2005?), tenho certeza que um show desses seria garantia de casa cheia na nossa amada Concha Acústica. É isso.

  7. muito bom luciano ter levantado, mais uma vez, essa discussão.

    parabéns osvaldo!!! extremamente precisa a sua abordagem, talvez pelo fato da experiência que tem com o meio e de ser um cara mais maduro, com mais idade e que não se ilude tanto assim com falsas promessas, potes de ouro no final do arco íris e horizontes fictícios.

    engraçado é que quando o esquema carlista dominava o estado, nós que éramos oposição acreditávamos que com a mudança do poder algo poderia mudar. doce ilusão!! não mudou zorra nenhumae não vai mudar e o que vemos são os mesmos artistas do grupo de ACM pular para o galho petista na maior cara de pau e serem acolhidos com o carinho carinhoso em eventos que se sucedem há décadas como se nada tivesse mudado. exemplos? margareth menezes, ivetão, daniela, carlinhos brown, olodum, clarindo silva, vovô do ilê.e mais e mais e………

    e quem tem uma posição crítica independente dos donos do poder da hora e antes, pelas circunstâncias das querelas políticas, era chamado de companheiro, hoje ao manter a postura crítica é chamado de carlista. já presenciei isso… rssss

    e também tem exemplos de artistas nacionais, geralmente alinhados aos ideais do PT e que se apresentam sucessivamente em salvador através da política cultural do (novo?) estado e/ou patrocinio das estatais petrobrás da vida e afins. num prazo de pouco mais de um ano lenine já veio a salvador umas cinco vezes. nação zumbi, o mesmo ou mais. otto, outra cacetada e mais e mais e………

    e cadê a abrangente e verdadeira diversidade que todos nós reclamávamos e a nós era prometida?. trazem aqui muito esporadicamente um ou outro do rock para não dar muito na pinta a má vontade que o poder tem com esse gênero musical.

    eles até aceitam a coisa meio “indie”, a qual não fede nem cheira, são bonzinhos “do bem”, hypados, politicamente corretos e que se contenta com as migalhas e aí estão as praças do Pelô com os autoramas, os wander wildners, os mombojós (BONS artistas, é bom frisar). mas o q parece é que não é preciso apenas ter talento ou méritos ou trabalho de qualidade ou histórico ou currículo artístico-cultural. é preciso ser da patota e bajular, puxar o saco e babar os testículos dos produtores do (novo?) estado.

    então, na moral, não rola esse lance de mudança por parte da (nova?) política cultural. isso é discurso pra enganar trouxa.

    quanto aos produtores da axé music investir na cena alternativa ou dar força. esqueçamos isso. eles não TÊM o dever ou obrigação de fazer isso, não têm NENHUM interesse nisso e tem suas razões. não dá o retorno nem o lucro aos quais eles já estão acostumados a operar. e ainda por cima, eles odeiam o rock em igual proporçao em que são destestados pelo rock. eles adoram mesmo é quando um roqueiro passa pro lado deles e aí eles “vão à feira exibir sua cabeça” de pobre coitado.

    falar é fácil. temos de trabalhar e MUITO e não esperar por nada de ninguem e nem de governo. isso um bocado de gente está fazendo de forma totalmente independente, mas existem também aqueles que estão do outro lado do balcão – burocratas & mídia em geral que não tem a menor boa vontade, agem por picuinha e birras pessoais com aquilo que foge ao seu mundinho no qual foram criados e são incapazes de romper essa bolha, pois não têm nem formação nem informação cultural.

  8. “então, na moral, não rola esse lance de mudança por parte da (nova?) política cultural. isso é discurso pra enganar trouxa.”

    Exatamente, Miguel. O que eu digo é que tá na hora de botar esse discurso à prova. Tá na hora de cobrar abertura.

    O problema é que as verbas estão tão pulverizadas, que o que sobra não cobre sozinho o custo de um festival decente.

    Se ficar o bicho come, se correr….

    A verdade é que, pro rock, nada ou quase nada mudou na prática. Não dá para esperar nada de ninguém, nem de governo, nem de iniciativas privadas.

    Por isso que eu chamo Messias de “nosso herói”, por que o louco tá tirando do bolso pra fazer alguma coisa.

  9. caralho peraê gente. cascadura abriu o show de lobão, abriu o show de pitty, teve dois dscos na lista dos melhores. ué, só tem cascadura na cidade é? se o n y dolls tocasse em salvador, a banda de abertura tinha ser estrada perdida

  10. Muito boa essa entrevista, acredito que demosntra alguns particularidades importantes no âmbito da discussão sobre o mercado da música baiana e o mercado nacional, visto que podemos observar que em Pernambuco problemas parecidos e problemas totalmente oposto, nos faz perceber que é preciso compreender a produção cultural como uma tarefa muito importante nesse cenário, demonstra que é necessário o produtor saber dialogar com várias linguagens, genêros musicais e recursos finaceiros tanto privado quanto público para a nova produção cultural que tanto têm um consumidor exigente , quanto Têm empresas financiadoras exigentes na transparência dos produtos financiados( Empresas que não estão dispostas a participar de panelinhas), è parte fundamental tanto do público (consumidor ) quanto do produtor denunciar estas instituições no que se refere por exemplo a financiamentos públicos para a cultura. É isso acredito que nós formadores de opinião, consumidores, produtores precisamos ampliar as discussões acerca da capacitação do mercado da música no estado bem como fortalecer a cadeia produtiva da música .
    Riffsjr
    (((Ultrasom-musical)))
    Mercado da Música independente – Novas tecnologias de produção e Distribuição musical – Música no cenário cultural baiano – Cultura e Diversidade Cultural – Cibercultura – Equipamentos musicais-Curadoria de projetos culturais –

  11. queria deixar claro que o fato de algumas coisas não terem dado certo no passado, não significa que não possam vingar daqui pra frente, desde que se tenha um entendimento mais claro de como as coisas funcionam. mas, aí vem uma noticia ,soube atraves de um comment que franciel postou no rock loco, que estão instituindo o dia do rock na bahia, através de um projeto de lei tramitando na assembleia legislativa.alguem aí sabe que porra é essa que esta acontecendo?

  12. É galera, complicated…

    Tem 3 anos que voltei a morar em Salvador e de lá pra cá tenho vivido de produção de shows as custa de muita sorte, talvez.
    Nestes 03 anos foram mais de 30 shows em Salvador e interior da Bahia, Aracaju, Recife, Maceió e João Pessoa.
    Sabe quando que eu fui ver a cor de 1 patrocínio? Só em novembro passado com Paralamas do Sucesso e Titãs (Claro!)
    Só na concha foram 03 Los Hermanos e eu me lembro no primeiro deles, quando cheguei a Maior TV daqui, ou vi um “Los Hermanos não tem feito mais nada desde Anna Júlia” – os caras já estavam no lançamento do Ventura. Fiz um e-mail situando a banda, de George Harisson a Maria Rita. E mandei pra todos da tal TV. Após o sucesso do show (graças a banda e ao enorme público que ela aqui tem), as coisas ‘clarearam’ e o lh passou a ser chamado para festival da paz, de verão e afins.

    Sei exatamente do que Osvaldinho está falando, mas ele esqueceu de um detalhe ainda mais grave: do esquema do – ‘A empresa que você trabalha põe 200 mil no meu evento e eu te repasso cinquentinha por baixo do pano’, coisas que infelizmente rola, não em todas, claro. Sem falar que produtores não ligados ao Axé não podem oferecer os mimos que os empresários tanto gostam: sabe o que é melhor do que acarajé e abará? Camarote e abada! Ah, mas os olhos deles brilham:
    – Carnaval você é nosso convidado!
    – Poxa que bacana!
    – E fulana vai mandar um beijo pra você no microfone, em cima do trio em plena avenida!
    – Opa!! O cheque é nominal mesmo?

    Enfim, são tantas questões.
    Mas vejo luzes (que não só as do trio), acho que o novo governo está abrindo novas possibilidades – sim! O boom Bahia – do já citado Messias aqui – é uma das provas.

    Agora mesmo no início do ano eu estava 90% fechado com o Rufus Wainrigth pra Salvador. Era uma turnê viável, custos honestos, só faltava um pequeno apoio pra fazer o gol, e o que eu mais ouvi:
    – Rufus quem? A batata?

    Enfim, em maio estou trazendo o Monobloco (mas não o do carro).

    E lá nave vá! Luciano, Osvaldinho, Chicão, vamos virar DJs? Eita, esqueci, vocês já são! Rs

    Abraços putada!

  13. o que eu me arreto é que as pessoas não entendem que PA não fez voto de pobreza. ele tá aí pra ganhar dinheiro e pronto. mas no final das contas, quem não quer ganhar dinheiro fazendo o que gosta??? agora, ele não deveria ficar reclamando desse shows “gratuitos”, afinal o povo paga os impostos e assistem ao shows em praça pública. pior é ele que pega os incentivos da petrobras, governo de PE e prefeitura do Recife e coloca o dinheiro no balaio do APR, junto com a grana dos patrocinadores e o resto que entra, ou seja, os ingressos, é lucro. resumindo: o APR entra no ar todo pago. como ele pode falar mal desses shows “de graça” se ele mesmo pega os incentivos, do mesmo jeito que o Rec Beat, por exemplo? a diferença é que ele cobra ingresso e o Rec Beat não. o que é pior: pegar o incentivo do governo e oferecer um show “gratuito” ou receber incentivo do governo e cobrar ingresso????

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