Ana Barroso - Foto Lígia Rizerio home

Os cinco discos que mudaram a vida de Ana Barroso + 1 bônus

A atriz, cantora e compositora Ana Barroso conta quais álbuns foram fundamentais em sua formação e incluiu álbuns de nomes que vão de Elomar a Legião Urbana.

Quais álbuns foram fundamentais para formação daquela artista que a gente gosta e acompanha? O que ela ouviu e foi fundamental em sua vida e o levou a produzir sua música? Temos feito essa pergunta para alguns artistas (já ouvimos nomes cpmo Teago Oliveira, Josyara, Martin Mendonça, entre outros) e agora é a vez da atriz, cantora e compositora Ana Barroso.

Nascidade em Vitória da Conquista, formada em Jequié e radicada em Salvador, a artista formou-se tem uma atuação em diversos espetáculos, destacando-se o Romance Lítero Musical Favielade Elomar Figueira de Mello 2017; Sonho de Uma Noite de Verão na Bahiadirigido por João Falcão 2019; Concerto do Amorcom a Orquestra Sinfônica da Bahia em 2023 e protagonizou o musical A Peleja da Santa Dulce dos Pobresdirigido por Elisio Lopes em 2023 e mais recentemente a premiada Torto Arado.

Em 2022, lançou seu disco de estreia, Cisco no Olho , e se prepara para o próximo, ainda sem data definida. Ela também é integrante do coletivo Outras Vozes, com quem divide o palco em diversas oportunidades, além de manter iniciativas com os integrantes do grupo, como o projeto de forró com Guigga.

A lista dos 5 álbuns fundamentais que ela apresenta ajuda a contar um pouco essa trajetória e da própria música que Ana faz. Nos textos de cada um dos trabalhos, ela conta a influência da relação com a música através dos vínculos familiares e mostra como foi influenciada por trabalhos importantes da música baiana e brasileira.

Clube da Esquina 1972

Esse disco aqui virou a cabeça de todo mundo. Será? Pra mim, tem um valor muito grande porque eu tive a sorte (e as consequências) de ouvi-lo aos 14/15 anos e, mesmo hoje, só ele me emociona em lugares específicos. A partir dele, dei um ti-bum sem volta nos mineiros. Sofisticados e ternos, não sei explicar. Mas sinto tudo só de lembrar. Comecei a namorar um hippie no mesmo ano… Estava completamente bêbada daquelas ideias e sons.

Amelinha – Porta Secreta

Enquanto no Clube da Esquina eu ouvia e conectava, de alguma maneira, meu pai e minha família paterna mineira, aqui no Porta Secreta e em outros de Belchior, Fagner, Ednardo e até Zezo eu ia compreendendo o jeito do meu povinho do Ceará, mainha e todo mundo lá de casa. Nesse eu adoro tudo, a voz, a cafonice, essa coisa meio intensa e brejeira que me localiza em um tempo guardado, sabe? Vó Dita tinha bar em posto beira de estrada. É colocar o disco e sentir o cheiro de pastel com gasolina. É bom finalmente gostar da nossa própria artesania. Amelinha faz isso, me liga muito rápido a mainha cantando com a vassoura. E eu amo essa lembrança.

Elomar – Das Barrancas do Rio Gavião

De novo um combo maravilhoso de paisagem de sons e imagens. Lembro de ouvir zil vezes “O pidido” pra não perder nada. Escolher dizer “Água da fulô que cheira” ao invés de “Água de cheiro” me amolecia e me intrigavam as cenas de mistérios, sufoco, lobisomem, ciganos, cavaleiros, etc. A oralidade sertaneja junto com aquela voz trovadoresca acabava de me deslocar do meu tempo, sabe? Apesar dos relatos concretos, é também meio fantástico. Tem isso no ar. Pude trabalhar com ele durante 1 ano e muito me ensinaram as suas melodias… Estilosão o dobe, meu conterrâneo.

Elizeth Cardoso – A Meiga Elizeth (não lembro os volumes)

Lembro demais dessa fita de Elizeth Cardoso que voinha ouvia e cantava mais alto que Elizeth lá em casa. Ela me berrava quando acabava um lado da fita pedindo pra que eu virasse porque sua mão estava suja de alho. Essa é outra vó, quem me criou, Margarida Barroso. Ela também ouvia Pe. Zezinho, os discos do meu pai e de Luiz Caldas. Meu tio Nilton as vezes aparecia com decibéis sem fim de Nelson Gonçalves a Wando, no som do carro. Voinha ficava estressadíssima, mas quando eu via, já estava lá cantando. Eles se bicavam muito, era um horror! Lembro de um dia quase perder os tímpanos com o meu tio empolgado “Aqui, mamãe, tudo que a senhora gosta: Orlando Silva, Silvio Caldas, Ademilde, Dalva…” Ele tinha comprado por um preço banal um CD mp3 com faixas infinitas de música de rádio. Não sei como cabiam tantas músicas, mas minha avó, pra seu desgosto, fez pouquíssimo caso do presente. Ela era difícil amolecer. Mas bastava tio Nilton sair, ela colocava o CD. Sem dúvidas me enganchei sem conserto nesse melodrama pra cantar, fazer o quê.

Gilberto Gil – Luminoso

Cinco discos é foda. Mas, enfim, Gil precisa muito estar aqui. No luminoso, ele sussurra em nosso ouvido, né? Sem rodeios. Não sei como esse disco apareceu lá em casa. Era um CD pirata, só com uma impressão bem fraquinha da capa e eu colocava na CPU do computador quando voltava da escola, todo santo dia. Acho um recorte muito precioso. Tem canções de várias fases dele e me impressiona as sutilezas… as pausas… autorreflexões… viagens completas em um nível sobre-humano de ver. Mesmo hoje eu sempre acho um ponto novo pra reparar. Um disco que revela a nobreza da sua imensidade: poeta, cantor, violonista, compositor. Gil me quebra, me revela, ilumina. Dava pra fazer cinco discos só de Gil. Próxima vez vocês me limitam a discos baianos, pelo menos (risos).

{Bônus}

Legião Urbana – As Quatro Estações

Apesar de não ter semelhança com a musicalidade do meu trabalho, eu ouvi bastante, não posso negar. Faz tempo, mas acho que de alguma maneira Renato me autorizou a escrever. De um jeito simples, explícito, confessional. As baladas longuíssimas com suas indignações e dramas existenciais me davam um senso de coragem bem importante naquela época. Acho Renato espirituoso. Eu também sou. Às vezes gosto mais de compor do que de cantar. Bom… Além dele e de Cazuza, só os Beatles me deslocaram do gosto Brasuca. Juro. Talvez porque eu não fale inglês? Tenho pretendido falar. Que bom, por outro lado, ter esse banquete com a música brasileira.

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