No final do ano passado fizemos um apanhado dos principais encontros no mundo da música que rolaram durante 2011. Como tem sido cada vez mais comum esses encontros, continuamos fazendo um apanhado com os encontros marcantes de 2012 na música brasileira e na música internacional. Desta vez, no entanto, separamos, música brasileira e internacional em dois posts distintos. Primeiro vocês vão lembrar dos encontros que rolaram na música brasileira em 2012.

Aqui você vê os músicos, cantores, estrelas e artistas que se encontraram durante o ano. Não qualquer encontro, destacamos aqueles mais interessantes ou marcantes, claro, vão faltar vários outros. De qualquer forma, tem de tudo, de encontro incríveis de gerações, até parceiras consolidadas no palco, de encontros imortalizados até momentos únicos. Teve encontros em tudo quanto é parte do Brasil e até fora dele. Vamos conferir.

Pra começar vamos logo para um reencontro histórico. No Rio de Janeiro, Caetano Veloso e Chico Buarque reativaram uma parceira que rendeu disco clássico e até programa na Globo. Juntos eles cantaram no show batizado de Primavera Carioca em prol da campanha a prefeito de Marcelo Freixo. Entre tantas músicas de um e de outro, a clássica ‘A Voz do Morro’ (Zé Kéti), acompanhados do Trio Preto + 1. O show aconteceu no Teatro Oi Casa Grande.

No final do ano, Caetano esteve também em outro encontro marcante, desta vez na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador. Ele cantou ao lado de Baby do Brasil alguns clássicos da música brasileira, como ‘Menino do Rio’ (do próprio Caetano, que vocês vem o vídeo abaixo) e ‘Farol da Barra (Novos Baianos). O show fez parte da turnê por algumas capitais que trouxe de volta aquela Baby se notabilizou no Novos Baianos e em carreira solo nos anos 80. Repertório gospel de lado, voz ainda em cima e um show que marcou quem viu. Este foi um dos mais belo momentos aqui em Salvador, que já tinha acontecido no Rio de Janeiro:

Mas houve encontros da nova geração também. Um dos discos mais bacanas de 2012 foi o novo trabalho do paulista Curumin, “Arrocha”. E neste disco, um dos principais destaques é a música “Passarinho”, de Russo Passapusso, o cara que canta no Baiana System, no DubStereo e no Bembatrio. Aqui os dois se encontram, Curumin e Russo, para juntos cantarem essa linda música, uma das mais bonitas do ano passado.

No lançamento do disco novo, Curumin recebeu um outro baiano presente no disco, Paulinho Boca de Cantor, ex-Novo Baiano, que teve a música “Vestida de Prata”, também gravada no trabalho do paulista. No show eles cantaram juntos a música.

Outro veterano novo baiano que participou de um encontro com um nome da nova geração foi Pepeu Gomes. Ele tocou e cantou em show da banda baiana Vendo 147 no Festival da Juventude, em Vitória da Conquista, em maio. Aqui com o hit de Pepeu, ‘Flor do Desejo’.

A Vendo 147 também recebeu no mesmo evento o cantor e compositor Lucas Santtana, considerado um dos melhores artistas brasileiros da atualidade. Juntos tocaram a música: ” Para onde irá essa noite?”, de Lucas Santana.

Os encontros da nova geração com veteranos já haviam sido marcantes em 2011 e este ano continuam trazendo momentos especiais. Que tal este de Jards Macalé com o goiano Diego de Moraes no Bananada 2012 interpretando “Soluços”?

E que tal Marcelo Jeneci e Erasmo Carlos? Eles se apresentaram juntos no palco da choperia do SESC Pompeia, em São Paulo, tocando com algumas canções do álbum “Sonhos e Memórias” (1972) com a banda de Jeneci como base. O show contou com momentos históricos, já que foi a primeira vez que Erasmo cantou ao vivo as músicas “Grilos” (vídeo) e “Sorriso Dela”. O show também com o repertório de Jeneci com novos arranjos.

Outro destes encontros contou com uma presença internacional. Em junho, no Rock in Rio Lisboa, o veterano Hyldon (para quem não lembra, é aquele de “Na Rua, na Chuva, na Fazenda”) recebeu Kassin produtor de seu novo disco, e a banda portuguesa Orelha Negra numa interpretação de outro clássico de Hyldon, “As Dores do Mundo”.

Outras parcerias de brasileiros com gringos aconteceram. John Ulhoa do Pato Fu tocou com Gruff Rhys, do Super Furry Animals, se apresentaram no projeto Tête-á-Tête no Studio SP.

No show do Duran Duran, Fernanda Takai fez uma participação especialíssima durante a música “Ordinary World”, em Brasília.

Rodrigo Amarante aproveitou as gravações de seu primeiro disco solo em Los Angeles, para fazer uma participação no Petty Fest, show promovido anualmente pelo compositor Tom Petty. Juntos tocaram “I Won’t Back Down”, do próprio Tom Petty, com participação de Matt Sorum, ex-Guns n Roses na bateria.

Uma das razões dos artistas da música brasileira atual viverem grande momento é também por conseguirem trafegar por outras gerações, mais novas e antigas, sabendo usar as referências e absorvendo o que podem. É troca, na verdade para os dois lados, uma geração contribuindo para outra e o público atento ganhando com isso. É o caso desse bonito encontro de Criolo e Ney Matogrosso cantando a música do rapper “Freguês da Meia Noite” no Vivo Rio Out 2012. Parece até que a música foi feita pra Ney cantar.

Esses encontros servem também para atualizar velhos sucessos e apresentá-los para gerações mais novas. Como esse que reuniu o Dj Dolores e o grande Robertinho de Recife, um dos maiores guitarristas brasileiros. Um ousado e especial encontro com as bases eletrônicas de Dolores e a guitarra de Robertinho aliados a projeções de “videomapping” e direção de Jodele Larcher, na Caixa Cultural Rio de Janeiro. No repertório, estiveram hits da carreira de Robertinho, como “O Elefante”, “Seja o Meu Céu”, “Gemedeira” além de composições e produções do Dj Dolores. Aqui você ouve “Baby Doll de Nylon”, parceria de Robertinho com Caetano Veloso.

O Festival Bahia de Som Salvador, que aconteceu em setembro no Auditório Ibirapuera, em São paulo, foi um dos eventos que rendeu encontros marcantes este ano. A ideia foi apresentar o que tem acontecido de mais relevante na música da Bahia, com artistas recebendo convidados em seus shows. Um dos mais interessantes foi o afro-bahia-jazz da Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz recebendo o rap-afro da Opanijé, numa mistura de sopros, percussão, rimas e DJ apresentando a música “Não Acredito Num Deus Que não Dance”.

Também no festival, Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz receberam o grande Lazzo Matumbi. Aqui a percussão e os sopros da orquestra se renderam a voz a magnitude de Lazzo para uma versão atualíssima do clássico “Depois que o Ilê Passar”, emendando “Alegria da Cidade”, do próprio Lazzo.

Apesar dele ser apenas um convidado, teve mais Lazzo no festival. No show da Baiana System ele e Bnegão subiram ao palco para cantar as músicas “Systema Fobica (Ubaranamaralina)”, do Baiana System, e “Canto das Três Raças”, de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte e famosa na voz de Clara Nunes.

O Festival Bahia de Som Salvador promoveu ainda um encontro da Baiana System com Márcia Castro que rendeu uma das versões mais bacana do ano. Juntos eles levaram “Selva Branca” (“Moranguinho no copinho” para os leigos), música de Carlinhos Brown e Vevé Calazans, grava por Chiclete com Banana há trocentos anos e que foi praticamente recriada aqui.

Não foi só no Bahia de Som Salvador que a Baiana System promoveu encontros especiais. Um capítulo a parte foram os encontros promovidos pelo grupo Baiana System. Responsável por dar um novo significado à guitarra baiana, o grupo aproveitou a ligação com o Carnaval para receber em ocasiões diferentes três ícones do início da axé music. Luiz Caldas, tido como pai da criatura, Lazzo Matumbi, mais ligado a uma vertente paralela da indústria do axé e aos sons afro e ao reggae, e Carlinhos Brown. Destacamos o encontro com Luiz Caldas num show no Pelourinho em maio. No repertório, música do Baiana com incidental de clássicos de Carnaval, a música “Tem Luz na Cauda da Flecha”, de Luiz com André Abujamra, e Luiz Caldas destruindo na guitarra.

Além da Baiana System, quem também formou uma bela dupla com a cantora Marcia Castro foi ninguém menos que Gilberto Gil. Eles já haviam dividido o palco no Carnaval de Salvador também em 2012 e voltaram a se encontrar no Festival Natura Musical, em Belo Horizonte, em junho. Juntos cantaram duas canções clássicas da música brasileira e nordestina: “Xote das meninas” (Zé Dantas/Luiz Gonzaga) e “Eu só quero um xodó” (Dominguinhos/Anastácia).

Por falar em Gilberto Gil, que tal um de seus maiores sucessos na voz de Lucas Santtana num encontro com o grupo paulista Bixiga 70? Confira essa versão de “Toda Menina Baiana” no show “Gil 70” em homenagem aos 70 anos do cantor e compositor, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo.

Ano passado, Fernando Catatau havia recebido Dado Villa Lobos em um show do Cidadão Instigado. Este ano quem apareceu no show da banda de Catatau foi outro ex-Legião Urbana, Marcelo Bonfá. Juntos, no Beco 203, em São Paulo, cantaram “Seguindo Estrelas”, da Cidadão Instigado.

Dois importantes nomes da música pernambucana recente, Siba e Lira (o Lirinha do Cordel do Fogo Encantado), também se encontraram para tocar juntos no Sesc Pompeia, em São Paulo, uma das músicas mais lindas de Siba. Lirinha cantou jorrando sua costumeira carga emotiva, enquanto Siba tocou sua guitarra.

O Auditório Ibirapuera também foi sede o encontro de Moraes Moreira com a Orquestra Jazz Sinfônica. Juntos apresentaram um show especial com vários dos sucessos de Moraes, seja com os Novos Baianos, na carreira solo ou com o Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar. Aqui uma das melhores músicas dele: “Coisa Acesa”.

Emicida já cantou com banda de rock, de reggae, samba, dj e em 2012 encarou um encontro com uma orquestra. Na Sala São Paulo, de terno e grava borboleta mandou seus petardos, improvisou rimas na hora e mandou rap com música erudita ao lado do maetro Renato Misiuk e da Coral Orquestra (Allegro).

Antes mesmo de “The Voice” e do sucesso midiático, a cantora Ellen Oléria já tinha uma trajetória musical distante dos holofotes da grande mídia. Na gravação de seu primeiro DVD Ellen Oléria e sua banda pret.utu recebeu no Sesc Garagem, em Brasília, o rapper Emicida, mandando juntos a música “Mudernage”.

Emicida também esteve com um dos maiores sucessos/ revelação de 2013, a paraense Gaby Amarantos. Juntos também mandaram “Canto das Três Raças”, de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, com Emicida largando as rimas no final.

Teve também vários encontros de nomes da nova geração. A cantora paulista Tiê e o cantor gaúcho Filipe Catto fizeram alguns shows juntos no projeto “Os brotos também amam”, no SESC Vila Mariana, em São Paulo. Nestes shows apresentaram várias versões, de músicas de Chico Buarque, Menudo, Cindy Lauper e esse sucesso de Rosana nos anos 80, “O Amor e o Poder”.

Durante um show da turnê de divulgação de seu mais recente álbum, no SESC Belenzinho, em São Paulo, a banda cuiabana Vanguart convidou a cantora Márcia Castro (olha ela de novo) para juntos cantarem a música “Namorinho de Portão”, de Tom Zé.

No aniversário de dez anos, em junho, no Circo Voador, a Orquestra Imperial recebeu vários convidados. Entre eles destaque para Gaby Amarantos, que mandou ver com seu hit que fez sucesso está nacional depois de entrar na trilha da novela. Á vontade, parecia até que ela já fazia parte da orquestra.

O rock baiano também rendeu bons momentos com encontros históricos de gerações. A Vivendo do Ócio convidou Pitty e Martin (Agridoce) para participarem de seu show no Festival Rock Concha, na Concha Acústica, em Salvador. Juntos, claro, tocaram uma das melhores músicas de 2012, “Nostalgia”, que faz parte do disco lançado pela VDO e já contava com participação dos dois músicos.

A Vivendo Do Ócio também recebeu uma das mais velhas bandas do rock baiano, a Pastel De Miolos. Duas gerações do rock baiano tocando juntos um ídolo de uma geração anterior, Raul Seixas e a música “Tapa na Cara”. O registro foi feito durante apresentação da VDO no “Dia Mundial do Rock”, em Camaçari/Ba.

Três nomes dessa geração mais recente, Criolo, Rodrigo Campos e Kiko Dinucci, se juntaram para um show especial na abertura da Mostra Estéticas das Periferias, no Anfiteatro do CCJ. Juntos revezaram músicas de cada um e aqui apresentam “Califórnia Azul”, de Campos.

No Rio de Janeiro outro encontro da nova geração. Desta vez de duas cantoras, Anna Ratto e Roberta Sá. Era o lançamento CD de Anna Ratto, no Miranda Lagoon, e juntas elas cantaram “Frevo (Pecadinho)”, de Tom Zé.

O tradicional palco do Circo Voador recebeu também um encontro marcante entre a Abayomy Afrobeat Orquestra e B Negão, na Festa Makula, que neste dia homenageou o grande Fela Kuti no Fela Day. Aqui a música de B Negão “Alteração (Éa!)”.

Teve ainda o encontro da banda Tono com Moreno veloso no Studio RJ, no Rio, tocando “Deusa do Amor”, do Olodum

Outros tantos encontros aconteceram Brasil afora, muitos não possuem vídeo ou não soubemos. Lembra de algum? Deixe a dica nos comentários que incluímos na lista.

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