Michael is Dead e a cultura pop como conhecemos também

Michael Jackson
Muito já se disse, quase tudo, sobre Michael Jackson e sua súbita morte. Sem dúvida foi o fato mais noticiado na nossa história, com uma dimensão midiática impressionante, ganhando não só capas de revistas e jornais, manchetes de programas de rádios e TVs de todo planeta, mas também dando um nó na internet, derrubando sites e sendo assunto de quase todo lugar onde existisse informação disponível.

A alcunha de Rei do Pop não foi dada a toa. Michael foi o rei da música pop desde o momento que passou a ser um dos maiores vendedores de discos da história, nos anos 80. Mas foi além disso, sua contribuição foi enorme para a cultura pop, ajudando a defini-la como a conhecemos nos dias de hoje. Em especial, foi a música pop que ganhou outros contornos com o sucesso de Jackson. Com ele, a música negra foi alçada a um patamar jamais visto, com ele o vídeo-clipe ganhou um formato definitivo, com ele a dança ganhou um papel fundamental e transgressor no meio musical, e influenciando dançarinos e coreógrafos. Mas, mais do que isso, norteou qualquer artista que desejasse ser pop a partir dele.

Desde a morte de John Lennon, a música pop não sofria uma perda tão grandiosa. Nesse caso, um abalo de impacto mundial até mais profundo, já que Michael Jackson era sinônimo de sucesso em qualquer lugar e com um apelo midiático ainda maior, que aliava a importância artística a uma vida cheia de percalços. Todos tinham Michael como um artista de grande talento, e ao mesmo tempo, um homem cheio de problemas. Depois da morte, a venda de álbuns de Michael Jackson explodiu e já supera a de Elvis Presley e John Lennon, cujas mortes foram também repentinas.

As vendas de discos do “rei do pop” multiplicaram-se por 80 e hoje lideram algumas das principais listas dos mais vendidos com discos antigos, singles e coletâneas. Nos Estados Unidos, seus discos, que vendiam cerca de 10 mil cópias por semana, passaram a vender, após sua morte, 415 mil cópias, 58% disso em formato digital, ocupando nove posições das parada Pop da Billboard. Simplesmente nove dos dez primeiros discos são dele. A maioria (58%) vendidos no formato digital.

Nesse formato, Michael bateu outros recordes, sendo o primeiro artista a emplacar seis álbuns entre no Top 10, incluindo os quatro primeiros lugares. Bateu o recorde também como o artista com mais singles ao mesmo tempo nas paradas de música digital, 25 no total. O astro também pode fazer com que pela primeira vez um disco de catálogo supere um lançamento em vendagens. Tudo isso em uma semana. Na Amazon, ele vendeu em 24 horas o mesmo que havia vendido nos últimos onze anos. Ele também emplacou em listas de artistas com músicas mais tocadas em rádios, como na Last FM. Com Michael em declínio nos últimos anos, a necrofilia da arte deu às caras com uma força jamais vista. Um alcance impressionante.

Um artista ouvido por quase todo mundo, literalmente, das mais diferentes gerações, classes sociais, sexo, idade, nacionalidades. Quase todos conheciam ele e sua música, algo cada vez mais impensável, para o bem e para o mal. Um artista desse porte não é mais possível dentro da forma que a indústria, o mercado e as tecnologias atuam hoje. A cultura de disseminação pulverizada com a internet, as tecnologias e as mais diversas opções oferecidas hoje não permitem que se tenha um mundo baseado em sucessos tão retumbantes.

A morte de Michael sinaliza o fim de uma era. Não é um marco estanque. Não que não tenhamos mais possibilidade de criar ídolos de alta qualidade, empatia e poder popular, a música pop continua com esse poder nas mãos. Apenas não existe mais uma forma de tornar isso tão grandioso quanto foi. Os tempos são outros e Michael Jackson foi o principal nome de uma era da cultura pop que já é passado.

A própria morte talvez tenha evitado que Michael Jackson entrasse num período ainda mais crítico na carreira, já que era bem possível que ele não suportasse fazer os prometidos 50 shows agendados com a qualidade que o notabilizava. É só uma hipótese. Talvez conseguisse voltar a brilhar. O prometido novo disco chegou a ter uma boa parte de material gravado que ainda não veio a tona. Poderia ser uma volta por cima do astro, ainda mais com a produção a cargo de Will.i.am. Agora, se sair realmente, deverá se tornar um álbum póstumo histórico. Não havia outro como ele e não haverá jamais. E nunca esse clichê foi tão correto. A morte de Michael é a morte de um tipo de ídolo que estava raro e nunca mais deverá se repetir.

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