
Misa Criolla com Jean William
Um dos marcos da música erudita latino-americana, a “Misa Criolla”, do compositor argentino Ariel Ramírez, chega a Salvador em uma montagem que aproxima tradição litúrgica, ritmos populares e reflexão sobre identidade cultural no dia 09 de junho, às 20h30, na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Largo do Pelourinho. Sob direção artística e interpretação do tenor Jean William, o espetáculo propõe um diálogo sensível entre a espiritualidade da obra original e a diversidade da música brasileira, reunindo emoção, virtuosismo e sonoridades latino-americanas em uma experiência musical intensa e contemporânea. A entrada é gratuita.
Além da apresentação musical, o projeto realiza em Salvador o workshop gratuito “Um Panorama da Música Coral Latino-Americana”, ministrado por Munir Sabag. A atividade propõe uma visão panorâmica da música coral latino-americana, abordando sua diversidade histórica, estética e cultural a partir de diferentes contextos geográficos e sociais. O encontro discute os processos de formação das práticas corais no continente, considerando as interações entre matrizes indígenas, africanas e europeias, bem como seus desdobramentos ao longo dos séculos.
Considerada uma das criações mais importantes da música argentina do século XX, a “Misa Criolla” revolucionou a forma da missa cantada ao fundir a estrutura sacra europeia com ritmos folclóricos sul-americanos. Cada movimento — Kyrie, Glória, Credo, Sanctus e Agnus Dei — evoca regiões e sonoridades do continente, criando uma experiência musical de forte impacto emocional e simbólico.
Na nova montagem, o programa é ampliado com obras de compositores brasileiros como Paulo Cesar Pinheiro, Gilberto Gil e Emicida, em arranjos que reforçam temas como ancestralidade, união e resistência cultural. A proposta é aproximar o repertório sacro do público contemporâneo, evidenciando pontes entre a tradição latino-americana e a canção brasileira.
À frente do projeto está o tenor Jean William, artista de trajetória internacional que já se apresentou em palcos como o Avery Fisher Hall (Lincoln Center, Nova York), o Teatro alla Scala de Milão, a Sala São Paulo e os teatros municipais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Descoberto pelo maestro João Carlos Martins, o cantor ganhou projeção ao interpretar repertório lírico e popular com forte presença cênica. Em 2013, cantou para mais de três milhões de pessoas durante a visita do Papa Francisco ao Brasil.
A direção musical conta com a pianista e regente Marcia Hentschel, diretora do CORALUSP, enquanto os arranjos têm assinatura de José Antonio Almeida, vencedor do Grammy Latino, e preparação coral de Munir Sabag, pesquisador da ECA-USP. A coordenação geral e produção executiva é de Sandra Mimotto Torres, da Ampliart Difusão Cultural.
Mais do que uma apresentação de música sacra, o espetáculo se afirma como uma travessia sonora pela América do Sul — um encontro entre fé, memória e identidade que reafirma a potência da música como território de diálogo entre culturas.
JEAN WILLIAM– DIRETOR ARTÍSTICO/MUSICAL E CANTOR SOLISTA
Jean William nasceu em Sertãozinho, viveu em Barrinha, perto de Ribeirão Preto, e foi criado pelos avós. Com o avô Joaquim, boia-fria aposentado, autodidata em violão, violino e acordeão, ouvia e aprendia música caipira. Aos 8 anos passou a cantar no coral da igreja. É formado em música pela ECA-USP. Estudou em Milão com a diretora do Teatro Alla Scala de Milão, Luciana Serra, e foi homenageado no maior programa de ópera do norte europeu, Ridotto del Ópera. Já se apresentou nos principais teatros do Brasil e em vários países ao redor do mundo.
Em 2013 cantou na primeira visita do Papa Francisco ao Brasil. Em 2018 foi recebido na opera de Montecarlo a convite do Príncipe Aberto II. Possui um álbum duplo gravado em 2014 intitulado “Dois Atos”. Já se apresentou ao lado de artistas como Laura Pausini, Sandy, Mônica Salmaso, Fafá de Belém entre outros. Em Barrinha, cidade onde cresceu, foi homenageado com a construção de um teatro que leva seu nome. Recebeu da Fundação Pirelli para as artes o prêmio “Talent at Work”, que premia jovens artistas empreendedores.
Em 2023, rodou o Brasil com a turnê “Cantos Brasileiros: Origens”, em que a música erudita brasileira é colocada ao lado de grandes clássicos da MPB com arranjos especiais para um cantor lírico acompanhado por um coro e conjuntos instrumentais. No ano seguinte, apresentou o espetáculo “Raízes Caipiras” (2024), mergulhando no universo da música do interior paulista e mineiro, em um diálogo entre tradição popular e lirismo. Já em 2025, lançou o projeto “Passione”, dedicado ao repertório italiano, reafirmando sua versatilidade e a capacidade de transitar entre diferentes linguagens musicais com originalidade e emoção.
Em um dos momentos mais importantes de sua trajetória recente, Jean acaba de lançar o álbum ECOS, seu primeiro trabalho de estúdio após 11 anos, reunindo 13 composições autorais inéditas que celebram a força das matrizes brasileiras — indígenas, africanas e latino-americanas — e reafirmam sua identidade como um dos tenores mais expressivos e inovadores da cena contemporânea. Com ECOS, Jean inaugura um novo ciclo criativo, reforçando sua presença no cenário nacional e internacional com uma obra que combina sofisticação vocal, profunda pesquisa estética e grande potência emocional.
MARCIA HENTSCHEL – DIREÇÃO MUSICAL
Marcia Hentschel é pianista formada pela Faculdade de Música de Santos, tendo se aperfeiçoado com o compositor e professor Amaral Vieira. Estudou regência com os maestros Juan Serrano, Benito Juarez e Oswaldo Luppi, e participou dos Festivais de Inverno de Campos do Jordão entre 1976 e 1978. Foi bolsista em regência orquestral no II Festival de Arte de Manfredonia (Itália) e integrou os International Study Tours for Choir Conductors nas edições do Festival Europa Cantat realizadas na Espanha (2003), Alemanha (2006), Holanda (2009), Itália (2012) e Estônia (2018). Atuou como regente convidada dos X e XI Laboratórios Corais de Itajubá (MG) e já esteve à frente de diversos coros universitários e corporativos. Desde 1984, integra o corpo de regentes do CORALUSP, do qual é atualmente diretora.
JOSÉ ANTONIO ALMEIDA – ARRANJADOR E PIANISTA
Toca piano desde os 8 anos de idade e possui formação pela Escola de Música de Brasília, onde estudou clarinete e piano com a professora Maria Aparecida Prista Tavares. Atuou como produtor e músico acompanhante de artistas como Rosa Passos, Guilherme Arantes, Placa Luminosa, Fábio Jr. e Jolie Jones (filha do maestro Quincy Jones). Assinou arranjos orquestrais para nomes como Maria Bethânia, Djavan, Caetano Veloso, Maria Gadú, Ed Motta, Arnaldo Antunes, Pitty, Rogério Flausino, Sandy, Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires e Tiago Abravanel. Há mais de 12 anos colabora como arranjador da Filarmônica Bachiana SESI-SP, sob direção do maestro João Carlos Martins. É autor da cantata “Quero o Meu Futuro”, tema da Conferência Rio+20, interpretada pela Bachiana Filarmônica no Palácio do Planalto, com participação do tenor Jean William, no Dia Mundial do Meio Ambiente de 2012. Vencedor do Grammy Latino 2012 pela produção e pelos arranjos do DVD Chitãozinho & Xororó – 40 Anos Sinfônico (gravado na Sala São Paulo com João Carlos Martins e a Bachiana Filarmônica), recebeu também o Prêmio LABREF 2014 no Los Angeles Brazilian Film Festival pela trilha do filme A Grande Vitória, em parceria com o maestro João Carlos Martins.
MUNIR SABAG – ARRANJOS CORAIS E PALESTRANTE
Doutor em Artes (Processos de Criação Musical/Questões Interpretativas) e licenciado em Música pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), onde desenvolve pesquisa sobre música vocal do Renascimento. É também bacharel, mestre e doutor em Física pelo Instituto de Física da USP, com atuação nas áreas de processos estocásticos, transições de fase e fenômenos críticos. A partir de 2002, reorientou sua carreira para a música, dedicando-se à direção coral, elaboração de arranjos vocais e pesquisa em repertório coral. Foi Coordenador de Música da Prefeitura da Estância Turística de Ribeirão Pires (2005–2007), período em que dirigiu o Coral Municipal. Desde 2007 é regente do Coral Physicantus (Instituto de Física da USP), do Grupo Vozes (UNIVAR Brasil) e do Coral do Ilha. Integra o GEPEMAC (Grupo de Estudos e Pesquisas Multidisciplinares nas Artes do Canto) do Departamento de Música da ECA-USP.
Serviço:
MISSÃO CRIOULA com o tenor Jean William
Dia 09 de junho
Terça-feira às 20h30
Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – Largo do Pelourinho
entrada livre





