Clipe obrigatório: Residente detona imperialismo dos EUA e homenageia América real

Vocalista da banda porto riquenha Calle 13, o cantor e rapper Residente acaba de lançar uma música de protesto fascinante acompanhada de um clipe bombástico. Com participação das franco-cubanas do Ibeyi, “This is Not America” é um tiro certeiro na lógica imperialista norte-americana. Com diversas referências a lutas e cicatrizes da América Latina, é uma obra essencial e obrigatória para todo latino que se preze.

Em pouco mais de quatro minutos, Residente canaliza sua ira contra a violência e arrogância dos Estados Unidos de chamar a si mesmo de “América”, desprezando os outros dois continentes que carregam o nome. “A América não é apenas os EUA, papai, isso se estende da Terra do Fogo ao Canadá”.

O clipe reforça o discurso anti-imperialista com imagens brutais do sofrimento causado pelo autoritarismo dos EUA (e dos colonizadores) em diversos momentos da história em países americanos. Desde as dolorosas separações familiares na fronteira, a especulação em terras de povos indígenas e ganância corporativa e comercial. Um convite a reflexão sobre o imperialismo norte-americano, seu colonialismo, escravidão e exploração da América Latina e Caribe.

Dirigido pelo diretor francês, Gregory Orel e com direção criativa do próprio Residente, o videoclipe traz referências diretas a momentos históricos de luta dos povos originários americanos e figuras políticas importantes das Américas. Também traz à tona simbolismos de culturas distintas, retratando crianças indígenas sentadas sobre os escombros do capitalismo global, enquanto coloca monumentos pré-colombianos entre os horizontes do primeiro mundo.

Entre as diversas referências encontradas no clipe, há citações ao artista e ativista chileno assassinado Victor Jara, à ativista porto riquenha Lolita Lebrom, à execução do líder inca Tupac Amaru II pelos colonizadores espanhóis, entre outros. Há também menções à resistência feminina do movimento zapatista mexicano; ao massacre de Iguala, também no México, quando 43 estudantes foram assassinados; à revolução dos limpiabotas na Bolívia; às manifestações venezuelanas em 2017; aos protestos anti-migrantes realizadas em Iquique, no Chile.

Execução do líder inca Tupac Amaru II que lutou contra a coroa espanhola e foi desmembrado pela força de quatro cavalos.
 
A revolução dos limpiabotas (engraxates) bolivianos, que cobrem os rotos devido ao preconceito que sofrem no país.
As crianças, filhos de imigrantes, encarceradas na fronteira dos UA.
O tango e as manifestações na crise de 2001 na Argentina, que teve 5 presidentes em 11 dias.

Entre as referências ao Brasil, há uma alusão direta e muito oportuna ao presidente Jair Bolsonaro, que se limpa na bandeira do Brasil; a imagem das forças policiais nas favelas nas prévias da Copa do Mundo de 2014, além da bandeira brasileira em manifestações e menções aos povos indígenas brasileiros.

Há também uma resposta a Childish Gambino e sua “This is America” na execução de Jara e, claro, no próprio nome da música. Outra relação é que o clipe da música de Gambino também trazia várias referências. Uma provocação que combina com Residente, que já havia cutucado o artista colombiano J Balvin e a indústria do reggaeton em outra música.

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