Carnaval Baiano Sucessos Versões

Os sucessos do Carnaval baiano que são versões e você nem sabia

Conheça os sucessos do Carnaval baiano que são na verdade versões. 

Qualquer estilo musical tem suas versões que ganham tanta força que parecem até as composições originais. A Jovem Guarda foi pródiga em recriar sucessos do rock inglês e americano, por exemplo. Não poderia ser diferente com a música baiana de Carnaval, pra não falar Axé Music, já que nem tudo aqui se enquadra no “gênero”. Reunimos alguns sucessos do Carnaval baiano que são versões de outras músicas, nem sempre com os devidos créditos. Ou tão conhecidas em suas novas gravações que as gerações mais recentes nem conhecem as antigas.

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Conheça as versões:

Sucesso no Carnaval de 2012, a música ‘Ziriguidum’, da one-hit-band Filhos de Jorge, é na verdade uma versão de ‘Yiri Yiri Boum’, de Silvestre Méndez. Esta já havia ganhado uma versão de Gnonnas Pedro,. um cantor, compositor, instrumentista e dançarino natural do Benin. Gnonnas atuou abraçou muitos estilos de música, incluindo highlife e juju. Foi integrante de diversas bandas e morreu em 2004. Silvestre Méndez, o verdadeiro autor da música. Méndez nasceu em Cuba, mas aos 20 anos foi para o México, onde atuou como compositor, cantor, músico, bailarino e ator. No México, ele organizou uma orquestra que alcançou grande popularidade. Fez sucesso também como dançarino em vários filmes. Neles mostrava também seu lado musical, com misturas de rumba e jazz. O sucesso foi enorme e outras figuras passaram a gravar suas músicas como Tito Puente, Celia Cruz, entre outros.

A versão: “Ziriguidum” – Filhos de Jorge (2012)

A original: “Yiri Yiri Boum” – Silvestre Méndez

Não foi o maior sucesso da Timbalada e nem estava entre as principais músicas de um dos melhores discos do grupo e da produção ligada ao Carnaval Baiano, o “Cada Cabeça é um Mundo”, de 1994. Apesar disso é uma música bastante conhecida e deliciosa. O crédito está registrado no disco, com a devida menção também que a versão foi feita por Carlinhos Brown. A original, de 1963, é de Luis Kalaff, famoso cantor e compositor dominicano que escreveu quase duas mil músicas, muitas delas gravadas por grandes artistas pelo mundo. Trafegava por ritmos como merengue, mangulina e bolero.

A versão: “Choveu Sorvete” – Timbalada (1994)

A original: “La Salve de Las Antillas” – Luis Kalaff (1962)

Essa muita gente, especialmente quem tem abaixo de 40 anos, não sabe que se trata de uma versão. A surpresa é que se a versão da Banda Eva, que já era cantada por Ricardo Chaves, quando este puxava o bloco de mesmo nome (depois por todos que puxaram o bloco, de Ivete Sangalo e Saulo Fernandes), não é original, tampouco é a conhecida da banda Rádio Táxi, que a regravou por imposição da gravadoras e fez bastante sucesso nos começo dos anos 80. A original é do cantor Umberto Tozzi, um dos nomes mais famosos da música italiana, com mais de 45 milhões de discos vendidos. A música ‘Eva” foi gravada por Tozzi no disco de mesmo nome de 1982. Quem diria que um italiano iria fazer sucesso no Carnaval Baiano?

A versão baiana: “Minha Pequena Eva” – Banda Eva – Ivete Sangalo/ Saulo (1997)

A primeira versão: “Eva” – Radio Taxi (1983)

A original: “Eva” – Umberto Tozzi

Um dos maiores fenômenos do Carnaval Baiano nos anos 80 foi a lambada. Em certo momento, era o ritmo mais tocado da festa, com nomes conhecidos como Luiz Caldas, Gerônimo, Sarajane, Banda Mel, Cheiro de Amor, entre tantos outros, se enveredando pelo ritmo caribenho. É bem verdade, que a música baiana de carnaval e a Axé Music sempre tiveram forte influência dos ritmos daquela região da América Latina. No período de auge da lambada, no entanto, isso foi ainda mais forte, com vários nomes fazendo músicas próprias e muitas, muitas versões. Um dos grupos que mais recebeu versões de suas música foi o Les Ainglons, da pequena ilha de Guadalupe, nas Antilhas. Eles são autores de clássicos como ‘Cuisse-la’, que aqui virou o ‘Melô do Tipitipiti’. Se essa ficou conhecida com a original, algumas outras chegaram a fazer sucesso mais com versões. É o caso de ‘Yo Vouai Ou’, que virou ‘Vem Ver’, nas mãos do grupo Fogo Baiano.

A versão: “Fogo Baiano” – Vem Ver

A original: “Yo Vouai Ou” – Les Aiglons

Talvez a grande surpresa dessa lista de versões do Carnaval baiano seja ‘Jubiabá’ de Gerônimo. Quase ninguém sabe que essa música, na verdade, é uma versão.  A original é de ‘Gimme the Ting’, de Lord Kitchener (que assinava as músicas como Aldwyn Roberts). Mas é difícil mesmo saber, já que nem nos créditos presentes no disco do baiano aparece alguma referência ao autor, ou mesmo que se trata de uma versão. No disco “Dandá”, a música aparece com autoria de Gerônimo e um tal de D.R.. Será DR de direitos recolhidos? Bom, o fato é que o merengue de Kitchener se tornou um enorme sucesso no Carnaval Baiano em 1987, sendo a trilha sonora da famosa dança da galinha. Nascido em Trinidad, Kitchener é considerado o grande mestre do calypso a partir dos anos 40.

A versão: “Jubiabá” – Gerônimo (1986)

A original: “Gee Me the Ting (What the Doctor Order Me)” – Lord Kitchener

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