Conexão BH

Na primeira noite do Conexão BH, o destaque ficou com Móveis Coloniais de Acaju e a banda local Fusile, que recebeu Gabriel Thomaz do Autoramas.

Na atual conjuntura da música brasileira, está cada vez mais difícil separar o que é e o que não é independente. Uma boa forma de definir, no entanto, é perceber que quem é independente vai fazer, tocar, produzir, criar com ou sem garantia de dinheiro em troca. Encarando a realidade, vai realizar seu trabalho com os recursos e as condições possíveis no momento.

É mais ou menos nesse tom que acontece de 29 de maio a 02 de junho, em Belo Horizonte, o Conexão BH, que já teve o apoio de uma grande empresa de telefonia e este ano acontece sem um grande patrocinador, dependendo de retorno de bilheteria para se pagar, mas funcionando a base de redes de apoio com artistas, projetos, instituições públicas e empresas.

Reunindo mais de 50 artistas, o festival começou na quarta-feira (29) no Parque Municipal enfrentando a saída das pessoas para o feriado, um friozinho e uma fina e insistente garoa. Na primeira noite, o pop e o rock deram o tom do festival, com a maioria de bandas de Minas Gerais, mas com convidados especiais de fora do estado fechando a programação, como os cariocas da banda Do Amor e os brazilienses do Móveis Coloniais de Acaju.

Na abertura, ainda com um público pequeno, o veterano cantor Garbo local mostrou um pop com formação interessante e incomum, com um naipe de metais com saxofone, trompete, trombone e tuba, mais uma bateria, sem guitarra e baixo. A sonoridade de Garbo e banda ganhou ainda mais corpo com encontros com outros artistas no palco, marca do Conexão em seus 13 anos de existência, com as participações de Carlos Malta, o guitarrista Júlio Curi e a cantora Kícila. O show seguinte manteve a toada pop, a banda Falcatrua, com um vocalista mais expansivo e um som mais pra cima, mas sem revelar grandes novidades.

Em paralelo, num outro palco menor, uma das revelações da música mineira apresentava seu rock leve com influências de música brasileira e aquela marca da geração pós-Los Hermanos. Canções bem estruturadas com temas pessoais, camisas quadriculadas e um som bem feito, mas sem grandes pretensões. Também em paralelo, um espaço juntava discotecagens de Dub com compactos originais, no maior clima sound system jamaicano, com projeções de trabalhos de audiovisual.

No palco principal, o ótimo show da Fusile chamou atenção, com seu ótimo ska punk rock com participação certeira de Gabriel Thomaz tocando músicas de sua banda Autoramas.

A sequência com a Do Amor, que tinha tudo para agitar ainda mais o público, foi um balde de água fria. A banda carioca prepara o lançamento do segundo disco e no show apostaram nas músicas novas. Elas, no entanto, ainda não funcionam tão bem, seja porque precisam de maior ajuste para serem apresentadas no palco, seja por ser desconhecidas ou porque em geral não são tão pra cima como o show pedia. A participação de Domenico Lancelotti não mudou muita coisa e o show acabou meio morno, com o melhor momento ficando a cargo da versão de “Baby Doll de Nylon”, de Robertinho do Recife e Caetano Veloso.

Fim de noite

O encerramento do primeiro dia do Conexão BH só não foi melhor com o Móveis Coloniais de Acaju porque quando o show embalava teve que ser interrompido pela avançar do horário permitido no Parque Municipal. Apostando em diversas músicas de seu novo disco, a banda, que demonstra ter público cativo em qualquer lugar que se apresenta, mostrou que mantém o foco na diversão como diferencial. Ai vale coreografia com todos os integrantes, dancinhas, brincadeiras e até algo como um teatrinho. As novas músicas seguem no mesmo embalo dos discos anteriores, mas o que animou mesmo o público foram os hits “O Tempo”, “Perca Peso”, “Cão Guia” e “Bem Natural”.

*O jornalista Luciano Matos viajou a convite da produção do evento.

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