Polêmicas, opiniões fortes, provocações, bolas fora, falas certeiras, broncas, bobagens, recalques, discussões. Resumimos algumas das principais declarações dadas no mundo da música neste primeiro semestre de 2013. Músicos, produtores, artistas, jornalistas soltam o verbo em entrevistas, em shows e onde tiveram oportunidade.

 

 

 

 

“Cara, em 1963, quando os Beatles apareceram e eu ouvi as primeiras vezes, era como hoje a pessoa ouvir Justin Bieber. Não era mais do que isso. Achei bonitinhas as canções, um negócio meio simplório assim, porque, veja bem, eu gostava do Thelonious Monk!”.

Caetano Veloso no especial 50 anos de Beatlemania no portal UOL

 

“Sempre gostei de arrocha. Rock e arrocha tem tudo a ver. Pegue a letra dos Beatles, faça a tradução e pegue as letras de Pablo. Todas falam de amor, é o mesmo assunto. É o mesmo objetivo, falar de amor, sempre. Talvez haja alguma diferença musicalmente, na questão do ritmo. Mas eu sempre ouvi e toquei de tudo, do rock ao pagode passando pelo samba. De Silvano Salles a Audioslave, por exemplo. E eu procuro trazer essas referências do rock para o meu arrocha, meu baterista usa pedal duplo, por exemplo, fazemos mesclagens, procuramos esse diálogo com o metal, fazer umas coisas diferentes, Calcinha Preta também faz muito isso, com as versões de rocks consagrados, como Scorpions.

Lucas Karr – vocalista do kart Love, em entrevista ao Jornal A Tarde

“Estamos num momento de virada (ops) político-cultural, em que a música, por exemplo, voltou a ter um papel central e ilustrativo no embate entre diferentes concepções de sociedade. Se você diz Racionais MC’s, se você diz Criolo, se você diz Michel Teló, se você diz funk paulista, até mesmo se você diz Daniela Mercury (risos) você está fazendo afirmações políticas fortes, mesmo que não tenha elaborado isso com clareza. É interessante estar em uma época como aquela em que Caetano Veloso podia afrontar o conservadorismo com uma participação em um festival de música. Estamos vivendo exatamente a mesma coisa, só que uma parte das pessoas não percebe, porque entraram outros arquétipos no jogo, arquétipos que não pertencem exclusivamente ao mundo do pensamento branco. Essa cegueira seletiva inclui a mídia conservadora, obviamente – e aí eu digo conservadora à direita e à esquerda. Tudo que o país já viveu artisticamente em mais de um século, desde o surgimento do samba no início do século passado, as afirmações geniais do modernismo antropofágico, a tropicália, esse jogo todo está tendo seu ápice exatamente agora. Nesse sentido, os bons tempos são já.”

O jornalista Alex Antunes, em entrevista no site da Virada Cultural de São Paulo

 

“O que interessa no rock vem de sua matriz negra, gay e contracultural, e não da apropriação misógina que o rock vem sofrendo desde os anos 1970. Parte do rock – exatamente a parte que atrai o “orgulho roqueiro” – virou uma ortodoxia, chata e despida de curiosidade como toda ortodoxia.”

O jornalista Alex Antunes, em entrevista no site da Virada Cultural de São Paulo

 

“Posso dizer honestamente e bem alto que ‘Gangnam Style’ é uma de minhas músicas favoritas dos últimos dez anos. E não sinto culpa por isso”.

Dave Grohl, respondendo no festival SXSW, em Austin, Texas, sobre a música que tornou o coreano Psy um popstar instantâneo.

 

“Esse cara é o herpes da música. Quando você acha que ele se foi, volta novamente.”

Billie Joe Armstrong, líder do Green Day, em sua conta oficial no Instagram, sobre o cantor coreano Psy, ao lançar o novo single “Gentleman” após o mega sucesso “Gangnam Style”.

“Bandas brasileiras! Por quê vocês cantam em inglês? Nunca consigo entender uma palavra! Qual é o sentido disso? Nunca vai dar a vocês sucesso fora do Brasil, e eu não vejo como vai dar sucesso dentro do Brasil. Sim, eu sei que o Sepultura conseguiu, mas o inglês deles era excelente, as letras eram boas, e eles estavam em um selo de heavy metal internacional. Quem mais conseguiu isso? Estou realmente perplexo e intrigado com isso”

O produtor musical norte-americano Jack Endino em sua página no Facebook

 

“Desculpem me todos. Eu não tinha a intenção de deixar ninguém bravo. Não estou rindo de vocês. Eu amo o Brasil e os brasileiros. Obviamente eu não estou ouvindo as bandas certas. Mas escutem, eu também não entendi isso quando estava na Alemanha, Portugal, México ou Itália. É simplesmente estranho para mim que uma pessoa escreva letras que não seja em sua língua nativa. Eu gosto de português. Eu gosto de espanhol. Mas eu nunca tentaria escrever nestas línguas. Para mim já é difícil escrever em inglês. A música brasileira é gigante. Por que inglês? Essa é minha pergunta. Me ajudem a entender”

O mesmo Jack Endino, explicando o comentário anterior

 

“Eu postei emocionalmente e meu ponto não foi óbvio. OK. Isso não é sobre o Brasil. Eu sei que é rock e não há regras. Claro. Vocês são livres para cantar em um idioma que nem todos do seu país entendam. Mas se você não for bom nesta língua, ninguém entenderá vocês. Vocês estão cantando para ninguém. Como isso pode ser bom para uma carreira de uma banda? A maioria das bandas já têm problemas suficientes só para serem reconhecidas em sua própria cidade. Se você pensa que sua própria cidade não importa…você espera ter sucesso fora do seu país, não esqueçam que estão competindo com milhões de bandas que são nativas e já moram nesses lugares, tocam lá, e vocês não. Se você não pode ser só “OK” e precisa “ser o melhor”, alguém precisava dizer isso, mas eu não disse direito. Agora eu estou dizendo”.

Ainda Jack Endino, falando sobre bandas brasileiras cantando em inglês

“A música do candomblé não tem que ficar presa ao terreiro porque é do candomblé; é uma música do povo. A Igreja vive agradecendo. E nós, que somos natureza, temos muito a agradecer, sabe? A cantiga do candomblé, a música do candomblé, toda essa espiritualidade é para você agradecer o ar que você respira, o marzão, todas essas árvores, os rios…”

Gabi Guedes, em entrevista ao site Bahianotícias

 

“Nós inventamos o indie como o conhecemos hoje”.

Johnny Marr voltou a falar da importância de sua antiga banda, o The Smiths. Em entrevista ao jornal The Guardian

 

“Eu como e bebo por causa da pirataria, é minha rádio. Minha música nunca parou de tocar por causa da pirataria, ganhei e perdi na mesma proporção. Tá bom”

Mano Brown, em entrevista para a Revista Fórum

“Existem pes­soas que, mesmo sem a visita de todas as musas, con­se­guem cap­tar do coti­di­ano coi­sas geni­ais que vive­mos, como por exem­plo ‘Ai se eu te pego’. Quantas vezes você não fala isso na rua? ‘Ai se eu te pego’ é coisa de gênio! Trocaria tudo que eu fiz por ‘Ai se eu te pego’, pela sim­pli­ci­dade genial da frase. Pessoas como eu, que pre­ciso ficar 2 horas por dia para com­por 8 com­pas­sos, tem um tra­ba­lho mais árduo na hora de compor”.

Tom Zé em um vídeo-chat do pro­jeto Instrumental Sesc Brasil

 

“Ninguém, nem mesmo o fã mais “inculto”, acha que ‘Ai se eu te Pego ‘é um clássico de Tom Jobim. Aquilo é outra coisa: um mote para festa, para animação coletiva. Começou com uma cantoria de meninas paraibanas viajando para a Disney, virou refrão para animar turistas em Porto Seguro e depois forró em Feira de Santana. Michel Teló transformou o resultado em canção pop, que já foi apropriada em vídeos em todo o planeta, como Gangnam Style. O que importa aí é o processo, a diversão agora, o riso solto, e não a obra-prima para ser venerada como fuga de Bach. É preciso julgar as duas coisas com critérios diferentes.”

Hermano Vianna, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo

 

“Encontro no funk muitos elementos que o tornam superior a uma sub-MPB que tentam me empurrar como música de qualidade. O tamborzão do funk salvou a música brasileira na virada do século 20 para o 21. É vanguarda mesmo, concretismo eletrônico afro-brasileiro. Mas para quem acha que hip hop não é música, ou que Stockhausen não é música, o que estou falando é delírio. Um consolo é saber que a produção da gravadora Motown um dia foi considerada por todos os críticos como lixo comercial sem futuro.”

Hermano Vianna, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo

 

“Eles não estão levantando uma bandeira? Eu não levanto bandeira nenhuma. Não quero meu nome associado a isso. Primeiro, existe uma redundância gramatical: “Legalize já, uma erva natural não pode te prejudicar”. Uma erva já é natural. Em português já está errado, confere? E “não pode te prejudicar” como, se fui preso? Eu tenho 40 anos. Na época do Planet, tinha 23. E me prejudicou. Conquistei minha carreira com muita dificuldade, com um público entre 800 e 2500 pessoas. A de “não sei quem” é de 20 mil pessoas. Mas graças a Deus não estou passando fome. Pude parar, refletir… Não tenho do que reclamar da vida, nem quero causar discórdia, arrumar polêmica. (…) Não vou participar de nada. Não é isso o que eu quero para os jovens. Não é questão de “não faça o que eu faço; faça o que eu digo”. É uma questão de realmente não acreditar mais nisso. Está errado. Se eu escrevesse sobre coisas em que não acredito, teria outra profissão. O poeta é bobão, ele escreve por ideologia, não quer saber de grana. Eu sou esse cara aí.”

Black Alien falando porque não participou da turnê de reunião do Planet Hemp em entrevista ao Jornal O Globo

 

“Essa exclusividade de ruindade musical não é do Brasil, ela é mundial. A música passa por um hiato criativo mundial”

Ed Motta, em entrevista ao Último Segundo do Portal IG

“Eu acho que as pessoas devem se sentir encorajados a serem elas mesmas. Isso é o que me aborrece sobre esses programas onde as pessoas são julgadas tão duramente por músicos que nem sequer tocam um instrumento em seus próprios álbuns, porra! Me deixa louco. Eu juro por Deus, se a minha filha subisse ao palco e cantasse com todo seu coração e algum bilionário olhasse para ela e dissesse: ‘Não, sinto muito que você não é boa’, eu estrangularia essa pessoa, eu Juro por Deus. Quem é você para dizer o que é bom ou ruim?”

Dave Grohl, em entrevista a revista NME

 

“Nós estávamos no estúdio e ele (Paul McCartney) diz: ‘Vai lá e duplique meu vocal’, e eu disse, ‘OK, você quer dizer, colocar uma harmonia nele?”‘ Não, não apenas cante o que eu canto. Eu e Lennon costumávamos fazer isso o tempo todo. “O quê?! O que está acontecendo aqui? Isso é loucura! Eu tive que me beliscar. Mesmo se não tivéssemos filmado ou gravado, aquele ainda teria sido o dia mais especial da minha vida inteira. Foi tão maravilhoso me sentar com o meu herói, meu herói musical, a pessoa que me influenciou mais do que ninguém, e para gravar na mesa que eu considero responsável por eu estar aqui hoje. Foi incrível.”

Dave Grohl, em entrevista a revista NME

“Eu não gosto de falar sobre a minha música. Na verdade, eu não gosto de falar sobre música. Eu diria mesmo que eu não sou um grande fã de falar em geral. Me apaixonei pelo rock na minha adolescência, porque exigia apenas que eu escutasse. “

Mark Lanegan em entrevista para o El Madrid

 

“Eu acho que houve uma transformação muito substancial na produção artística do século XIX pra cá, e no século XX, com todo esse peso da subjetividade na cultura liberal, a produção de sentido da arte ficou mesmo em segundo plano. Você não vai ver um poema ou um quadro do século XVI ou XVII ausente de um sentido político, religioso, filosófico específico. Eu acho que a música pop perdeu uma conexão importante com o mundo. Virou auto-referente demais. Circula sempre em torno dos velhos temas, e de maneiras parecidas. Amor, individualidade, comportamento, solidão, todos esses retratinhos do cotidiano que podem fazer uma linda colcha de retalhos pra vender, enfeitar, requebrar na pista, mas que não dialogam com o mundo e com a cultura de forma contundente.”

Bonifrate em entrevista ao blog Pulsa Nova Música

 

“tem gente demais nesse planeta. Logo, tem gente demais fazendo música. A massa de mediocridade tá sempre lá, é claro, mas tem muita gente fazendo música legal também. E daí rola um processo cognitivo muito louco, em que eu começo a achar muito da música “legal” que se faz por aí “um saco”. Esse papo que os jornalistas e críticos musicais têm discutido muito hoje em dia. O lance é perceber que vivemos uma transformação na forma de se absorver a música, e não um período de trevas criativas, como alguns tiozinhos andam dizendo por aí.”

Bonifrate em entrevista ao blog Pulsa Nova Música


“Tenho que dizer que não gosto de muita da cultura do DJ. Não gosto desta coisa do cara receber muito dinheiro para fazer apenas o seu set. Acho isso tudo muito pobre”.

Thom Yorke em entrevista à Rolling Stone

 

“Estamos no meio da mudança ainda, no meio do redemoinho, mas sem dúvida há uma abundância de artistas, de discos e sites de compartilhamento de música. Existe uma mudança radical também no comportamento do público. A grande maioria das pessoas abaixo dos 30 anos de idade nunca vai comprar música, e não vê nenhuma razão para pagar para ter uma canção. É simples assim, cada um que se vire nesse novo mundo ainda sem modelo. Particularmente, acho que, ao contrário do que se poderia esperar e pelo excesso de discos produzidos, está difícil peneirar o que vale a pena e o que não.”

Beto Villares em entrevista ao Scream & Yell 

 

“Acho que MPB tem sido um título/rótulo que já não ajuda muito, porque a nova música “pop” brasileira inclui de rock experimental a baião, passando pelo brega e pelo samba. Eu acho que há alguns anos temos poucos programas – e algumas poucas rádios – que ainda têm uma programação que inclui novas músicas brasileiras, populares. Isso já é melhor que nada! Tem a Patrícia Palumbo [jornalista da rádio Estadão], a Roberta Martinelli [apresentadora do programa Cultura Livre, da Rádio Cultura] e outros. O distanciamento com o que faz grande sucesso é natural, porque o grande sucesso só acontece com muito investimento de dinheiro, estratégia, marketing e por aí afora. E isso, geralmente, não é o caso da música “alternativa”, nova, ou da “nova MPB”. É até curioso, porque muito do melhor da boa e velha MPB foi feito com investimento de gravadoras, mas de uma outra maneira, num outro mundo, que não existe mais.”

Beto Villares em entrevista ao Scream & Yell 

 

“Manter uma carreira musical autoral é muito difícil. A gente vive hoje em um momento no qual as pessoas têm dificuldade em “abertura para o novo”. Elas querem reconhecer sensações e não conhecer novas sensações. Querem ter o reconhecimento de uma emoção, de uma letra de música, e se você se propõe a fazer algo novo, sem uma referência de reconhecimento, acontecem certas dificuldades. É preciso desenvolver um trabalho. Você vai lutando contra essa tendência do mundo contemporâneo. É uma dificuldade constante. Não ocorre só no início de carreira, mas durante toda ela. É necessário muita força de vontade e acreditar também um pouco no universo.”

Márcia Castro, em entrevista realizada originalmente para o programa “Batuque na Cozinha”, da webradio (ouça aqui)

 

“Acho que não, as difi­cul­da­des sem­pre irão exis­tir para novos artis­tas e cenas, o melhor é enca­rar a real como ela é… vejo sur­gir muita gente legal, mas pouca oferta de shows e luga­res pra tocar, como sem­pre a região tam­bém não ajuda… eu sem­pre digo, no dia que tiver um cir­cuito de luga­res pra 300/500 pes­soas, orga­ni­za­dos para novos artis­tas em cida­des como Mossoró, Campina Grande, Caruaru, Petrolina, Vitória da Conquista, Crato, e mais as capi­tais, a cena inde­pen­dente daria um salto grande, mas a real é dura e crua… por isso muita gente se manda para o Sudeste, pra tra­ba­lhar e pro­mo­ver mais. Quanto tempo mais pra ter­mos esse circuito nordestino, ou NO/NE?”

Paulo André, produtor do Festival Abril Pro Rock, em entrevista para o blog da revista MI, Música Independente em Pernambuco

 


“As pessoas colocavam a “Comadre Fulozinha” como música regional. O que na verdade é uma visão fechada das coisas. Muita música que é feita no Nordeste, não só em Recife, é tida como regional. Porque o Rio de Janeiro e São Paulo seriam o Brasil e os outros estados uma coisa exótica à parte. O que é muito ruim para a música brasileira e que faz com que Luiz Gonzaga até hoje seja tratado como um artista do Nordeste e não do Brasil. Não sei se foi por isso.”

Karina Buhr, em entrevista ao site Bahia Notícias

 

“Falta mudar o pensamento de quem escreve sobre isso, tanto em Pernambuco, quanto no Brasil todo. É uma visão fechada. Ainda se acredita que o que é de Recife pertence ao Nordeste. O Norte também sofre com isso, o Pará, agora, por exemplo. Tudo é muito a partir do ponto de vista de São Paulo e do Rio de Janeiro. Mesmo o jornalismo que é feito em Recife, que eu sempre acompanhei mais, é muito vezes cópia e repetição do que se faz em São Paulo. Acontece que quem está no Sudeste pode ter uma visão estigmatizada e clichê do que se faz do Nordeste, inclusive, pode achar que é a região é toda uma coisa só. Quem é do lugar, que pode justamente fazer a diferença, estou falando de quem escreve sobre isso nos jornais, nos sites, nos blogs, acaba copiando esse ponto de vista. Então isso se repete. Por exemplo, Nação Zumbi que é uma super banda e tem um público gigante é sempre tratada como a banda de Recife. É uma banda do Brasil, pô. Já quando é do Rio, São Paulo, Brasília, a gente vê como Brasil. O Pará está se sobressaindo agora, mas é também sob o ponto de vista da mídia de São Paulo e do Rio de Janeiro, como se eles tivessem descoberto o Pará. Mas não descobriram o Pará agora, ele sempre foi absurdo e maravilhoso. Que bom que estão falando do Pará, mas ele não começou a existir ano passado. Mas as coisas estão melhorando, principalmente porque estão mais diluídas. Cada vez mais pessoas têm voz para falar por conta própria.”

Karina Buhr, em entrevista ao site Bahia Notícias

 

“A pior coisa para quem faz qualquer tipo de arte é ser chamado de alternativo. Por que qual é a ideia? Alternativo significa que o certo, o normal é fazer música sertaneja ou balada para tocar na novela e o resto são os tortos, alternativos e independentes. Isso não faz sentido. Antes ainda fazia sentido ser independente, porque existiam as gravadoras. Mas agora elas trabalham de outra maneira. Existem muitas gravadoras. Está todo mundo mais livre, mudou a maneira de trabalhar com música. E quem vai para o show de uma banda que gosta, ama aquela banda, ela sendo conhecida ou não, como ama qualquer outra banda conhecidíssima que ele goste. Então, esse rótulo de alternativo não serve para nada. Só talvez para indicar que um artista ganhe menos que outro. Por outro lado, todo mundo está cada vez mais independente. Meu trabalho é independente. O primeiro disco foi totalmente independente e o segundo também. Eu já tive um patrocínio, mas continuei sendo independente. Tem também um selo que distribui o segundo disco, mas eu sou independente. Mesmo quem assina com gravadora ainda hoje, os contratos têm muito mais liberdade. Esse rótulo de alternativo é só para estigmatizar e tentar colocar os artistas fora de um circuito que é considerado mainstream. Isso só atrapalha.”

Karina Buhr, em entrevista ao site Bahia Notícias

 

“Sim, elas têm futuro. O empresário da banda é um cara superbom e ao mesmo tempo terrível, pois ele foi um dos motivos para eu sair da banda. Eu não gostava dele. Ele já arrumou uma pessoa para fazer música para elas, a banda está gravando um disco novo com o guitarrista do TV on the Radio e eu estou louco para ouvir. Contanto que elas tenham alguém para fazer o que elas não fazem, elas vão continuar fingindo que são uma banda. Boa sorte para elas, então, e que continuem cantando as músicas que eu fiz.”

Adriano Cintra, em entrevista ao site Bahia Notícias

 

“Queremos recuperar tudo o que se perdeu com o Carnaval empresarial, com o Carnaval dos negócios. O Carnaval não está bom e está sendo cruel conosco […] A imprensa também tem parcela de culpa nisso. Com o projeto, queremos mostrar o que é belo. Queremos mostrar o que vocês não cobrem”

Alberto Pitta, presidente da Liga dos Blocos Afro, em coletiva no lançamento do novo circuito do Carnaval de Salvador

 

“Estou cansado de ouvir esses idiotas dizendo que eu não canto bem. Então, pensei: dane-se, não vou usar efeito sonoro algum. Quero que eles escutem o som real da minha voz, espero que as pessoas gostem e finalmente larguem do meu pé.”

Liam Gallagher, em entrevista à revista NME

 

“Qualquer coisa feita na Bahia depois do tropicalismo é axé music! E não deixa de ser axé music, o próprio arrocha também é. O axé não é um estilo de música, mas é uma forma de você fazer misturas. Porque quando eu cheguei no trio só existia o frevo. Então, a primeira música da axé music, a “Nega do cabelo duro, que não gosta de pentear”, essa música tem reggae, tem funk, tem tudo misturado ali no meio. Como é que se faz isso? Você tem na banda vários instrumentos e é como se você colocasse um liquidificador com várias frutas. Aí você coloca um pouquinho de cada fruta e faz o seu suco. Por isso que o Ara Ketu é diferente do Chiclete, que é diferente do Asa e todos fazem axé music. Então porque os outros ritmos que também são misturas não podem ser [axé]? Só que têm uma nomenclatura diferente, mudaram o nome. Mas eu englobaria tudo! Porque a axé music não precisa ser uma música altamente intelectualizada, nem altamente babaca. Ela pode ficar no meio termo, oscilando.”

Luiz Caldas, em entrevista ao site Bahia Notícias

 

” Foi uma brincadeira, mas foi interessante. A ideia não foi nem pra dar um golpe na música, mas na mídia mesmo, porque grande parte da mídia a gente sabe que é comprada, principalmente as rádios. E isso é terrível para a cultura do lugar, para a nossa música. Porque vira um ciclo vicioso terrível. O dono de uma banda de axé, pagode ou arrocha grava uma música e compra os direitos na mão do compositor, gasta RS 100 mil de jabá para fazer a música tocar. Mas a rádio tem que pagar ao Ecad [Escritório Central de Arrecadação e Distribuição], que vai receber pelas músicas que foram tocadas para devolver ao compositor. Ou seja, o mesmo cara que pagou o jabá vai receber de volta o dinheiro porque a música está no nome dele. E onde vai parar a cultura da gente? Porque o cara não vai investir em uma música que preste. O que ele quer é que as pessoas escutem rápido. A maior parte das músicas de hoje duram seis meses. Para mim, música não tem validade. O que seria de Tchaikovsky, Mozart, Beethoven, se tivesse?! Nem precisa ir tão longe, Lupicínio Rodrigues, Cartola, Pixiguinha. Isso é meio estranho. Só para terminar, eu brinquei dizendo isso. Lancei um projeto com 130 canções, em dois anos, produzi 22 discos. Tem artista que tem carreira de 40 anos e não tem tantos discos gravados. Eu não estou fazendo por questão de números, se não eu chamaria o Livro dos Recordes, a ideia não é essa. Mas por que eu vou ficar de braços cruzados se meu videogame é música?! Então, poxa, fiz tanta coisa e a imprensa não se preocupou em perguntar. Ai eu falei, ‘quer ver como é que funciona?’, cortei um dedo o cabelo… “É, eu cortei o cabelo e fiz um disco”.”

Luiz Caldas perguntado sobre se cortou o cabelo como “golpe de marketing” em entrevista ao site Bahia Notícias

 

“Os jovens ouvintes não estão dando o devido valor que deveriam dar aos seus. Entendeu? Tem muita gente nova, boa, fazendo um puta som. A Baiana System, por exemplo, é maravilhosa. Enquanto a juventude quer continuar ouvindo “eu quero tchu, eu quero tcha”, é foda. Não dá, não dá mesmo! Será que essa garotada quando tiver 30, 35 anos vai ter coragem de dizer que escutava tudo isso que está escutando hoje em dia? É complicado… A minha geração escutou Caetano, Gil, Chico e a gente tem o maior orgulho em dizer isso. Eu não estou aqui falando mal, mas existe a música de verdade e a música mercantilizada. E 99% da música brasileira está sendo mercantilizada, ou seja, deu dinheiro, pode ser qualquer merda que vale. Eu não concordo com isso e não acho legal mesmo.”

Luiz Caldas, em entrevista ao site Bahia Notícias

“A industrial do axé é cruel. Todos sabem. Mas não dá para você peitá-la e entrar em um enfrentamento, tentando criar uma barreira e se auto-denominar contracultura. Acho muito mais interessante perceber que aquilo tudo faz parte de nós, de nosso cotidiano.”

Russo Passapusso, do BaianaSystem, em entrevista ao blog Banda Desenhada

 

“A indústria do carnaval realmente pode ser muito ruim. A Larissa Luz cantava no Araketu e, de uns tempos para cá, o bloco vem sofrendo uma grande crise de identidade, perdendo o que havia de mais interessante. O Araketu era basicamente um bloco de percussão. No início eles flertavam com o afropop. Eu vi um show lindíssimo deles, no final da década de 80, em Salvador, com o Salif Keita e o Olodum. De repente, eles se tornaram outra coisa! Você nem consegue saber ao certo aonde eles querem chegar com isso. É muito triste…”

Robertinho Barreto, do BaianaSystem, em entrevista ao blog Banda Desenhada

 

“O mercado das cópias, o privilégio das cópias, desapareceu e jamais teremos uma “indústria fonográfica” de novo, mas queremos arte como queremos saúde, transporte e educação, que também são autossustentados com a infra do poder público dando uma escora. Nada de errado nisso.”

Pena Schmidt, em entrevista ao site Empreendedores Criativos

 

“O Fora do Eixo seria o grande movimento hoje, capaz de sincronizar o Grito Rock em centenas de cidades; estruturar uma rede com uma centena de festivais; um software de encontro entre milhares de bandas e promotores, o Toque No Brasil, fundar uma universidade das culturas mais toda uma plataforma político-sócio-cultural e capazes ainda de angariar muitos inimigos públicos. Problema nosso. Mal acostumados com revoluções anteriores, que movimentaram as multidões de música em música ou de um estilo para outro, agora mal percebemos que o Fora do Eixo é o equivalente cultural e artístico da ascensão das megamultidões ao consuminato. Milhares de jovens se declaram artistas e viajam pelo Brasil, tocando quase de graça, descobrindo o país e sendo felizes, muito agradecidos pela oportunidade. Não faz o menor sentido para quem se orienta pelas normas do mercado, mas esta é a nova realidade da economia colaborativa, onde sua reputação vale mais do que sua lábia de vendedor, coisas que a internet nos trouxe. A grande revolução é permanecer fora do mercado. E estourar é fazer tudo isso e não ter patrimônio nem lucro.”

Pena Schmidt, em entrevista ao site Empreendedores Criativos

“O que ouvimos na rádio e vemos na TV é o que meia dúzia de multinacionais quer colocar todo dia. A internet acaba sendo uma ferramenta muito mais transparente pra se saber o que está acontecendo. Tem gente compondo coisas bacanas, fazendo coisas legais, mas tem que buscar, ir atrás. Hoje a necessidade de parecer com alguma coisa que deu certo está latente. Então o pagodeiro faz uma música muito parecida com a que o sertanejo faz, que parece muito com o que o rock jovem canta, que é muito parecido com o axé. São todas as dores dos amores. Pasteurizou-se a produção musical.”

Fernando Anitelli, vocalista do Teatro Mágico em entrevista ao blog PLUG 

 

“O que acontece é a velha maneira das rádios trabalharem junto às gravadoras, que não é tão pura assim. Muitas vezes, o que está ali não é o que o povo está querendo ouvir, mas o que as rádios se cooptaram pra tocar. A música hoje não é tratada como cultura, mas como um comercial de chiclete, que você precisa pagar pra tocar. Entrar grupos novos nas rádios é muito difícil, por isso a internet é uma saída criativa, atual e constantemente em evolução. É o artista falando com o público diretamente, sem atravessadores.”

Fernando Anitelli, vocalista do Teatro Mágico em entrevista ao blog PLUG 

 

“(…)fui o artista que partiu da deficiência. Sou um péssimo cantor, péssimo compositor e péssimo instrumentista. Mas é justamente isso que me faz trabalhar. Por isso que apresento algo de estranho, algo de diferente do que todo mundo apresenta. Só quero que as pessoas compreendam que há aqui um artista que veio da deficiência e, logo, grande parte do Brasil que está lendo isso, também pensa que é deficiente.”

Tom Zé, em entrevista à Revista da Cultura

 

“(…)a vontade de começar a trabalhar no futuro é uma coisa sempre irresistível. Mesmo porque estou tão apaixonado por essa ideia e até sinto um laivo de responsabilidade para que fique público. Porque, veja bem, eu tenho uma dívida com a nação. Estudei na escola primária pública, em ginásio público, colégio público e até universidade com bolsa de estudo. Eu ainda devo à nação. Preciso produzir para deixar pelo menos o que devo e ver equilibrado quando eu parar de trabalhar.”

Tom Zé, em entrevista à Revista da Cultura

 

“Não tenho um iPod… Tendo dito isso, sigo ouvindo música em CDs e vinil. Às vezes, fitas cassete. O som é muito melhor que o digital. (…) Minha mulher tem. Meus filhos têm. Peço que busquem isso ou aquilo, toquem de novo uma música. Sei lá como fazem isto. Não tenho controle da tecnologia. Eu sei o que essas coisas podem fazer. Não sou totalmente contra elas”. (…) Eles foram sugados por isso e não conseguem sair dessa, nem nós, nem o público. Tem algo faltando ali, mas acho que esse é o preço do futuro”.

Keith Richards, falando em coletiva sobre o iPods, música digital e tecnologia

“Você costumava fazer um disco, mas eles reduziram o tamanho e o colocaram nessa caixa de plástico que quebra imediatamente, como? Você percebe que eles estão te ferrando, então você não quer pagar… Mas enquanto isso, o músico não ganha nada. Agora, fazer um disco é meio que uma coisa promocional. “MP3, pelo amor de Deus. Um negócio de qualidade miserável, as pessoas não entendem o que elas estão perdendo. Foi reduzido ao menor denominador comum”

Lou Reed em entrevista para jornalistas no Cannes Lions International Festival of Creativity

 

“Você pode simplesmente fazer o download, mas não há romance em um clique do mouse. A tela de um iPhone é conveniente, mas não há nenhuma comparação com uma exibição de um filme de 70 milímetros em um teatro lindo”.

Jack White, no site da Third Man Records

 


“O Carnaval do país é um retrato do Brasil atual. Ele é um Carnaval discriminatório, segregado, com mecanismos que reproduzem o capitalismo brasileiro: a grande exclusão da maioria em beneficio de uma minoria. Seria ingenuidade esperar que no Carnaval de Salvador, de São Paulo, do Recife ou do Rio nós tivéssemos democracia, oportunidade, igualdade. Você passa 359 dias no ano praticando toda forma de violência institucional, de racismo institucional, e você quer que em seis dias o Carnaval seja democrático?”

João Jorge Rodrigues, presidente do Olodum, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo

 

“Aqui (na Bahia), ainda mais. Você tem um segmento que tem os melhores patrocínios, maior visibilidade, todos os recursos. Há cordas separando os blocos do povo. Estamos falando da possibilidade de o Carnaval ser mais generoso. Além de ser uma festa da alegria, proporcionar também àqueles que fazem cultura ter apoios tão generosos quanto o de quatro grupos. Mas é ilusão achar que isso mudará em curto prazo. Os atores que podiam brigar por isso estão às vezes mais preocupados em fazer parte do jogo.”

João Jorge Rodrigues, presidente do Olodum, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo

 

“A diversidade, que antes era a riqueza do Carnaval, foi diminuindo, e hoje o Ilê Aiyê, o Filhos de Gandhy, a Timbalada e o Olodum correm um pouco no meio disso. Mas nos demais lugares você não tem novidades. A Bahia virou a terra de uma artista só. Parece que os outros estão todos mortos. Isso mata os artistas emergentes, mata os que estão trabalhando e, em vez de fortalecer essa própria artista, a fulmina, porque é a galinha dos ovos de ouro aberta para pegar ovos. A festa faz de conta que está enriquecendo uma pessoa, mas na verdade está empobrecendo uma cidade, um Estado.”

João Jorge Rodrigues, presidente do Olodum, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo

 

“O Carnaval não é a salvação, não é o fim do mundo. É algo importante para a civilidade que precisa emergir, mas não se resolvem os problemas das cidades sem o confronto. O Carnaval é a cara da sociedade. Só em um momento o brasileiro se mostra como ele é. É no Carnaval”.

João Jorge Rodrigues, presidente do Olodum, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo

 

“Simples, o mundo deu voltas. As coisas vem em ondas, como o mar. O que eu acho uma pena no Brasil é que o grande espaço existe apenas para alguns gêneros, e por um tempo, tudo é muito descartável. Mas até isso tem seu valor com o tempo. Deveria ter espaço para todos, talvez… mas as coisas são do jeito que são. Eu acho que o rock ficou um pouco infantilizado e poroso com o tempo, ao mesmo tempo outros se intelectualizaram demais… mas não quer dizer que não tenham tido sucesso popular e espaço. Não sei se está na hora de voltar, mas uma hora volta. É importante saber que artistas como a Nação Zumbi e os Ratos de Porão sempre estiveram por aqui esse tempo todo, fazendo “sucesso” ou não. É esse tipo de artista que inspira a gente, pelo menos a mim.”

Chuck Hipolitho no blog Independência ou Morte do site Terra ao responder o que aconteceu para o rock perder espaço no mainstream para sertanejo/axé/universitários.

 

“Definitivamente nós trabalhamos muito, mas várias outras bandas trabalharam tanto quanto a gente. Você tem que se sentir sortudo. Nunca sinta como se você fosse destinado a ter esse sucesso – senão você se transforma em uma pessoa arrogante.”

Patrick Carney, baterista do Black Keys, em entrevista à NME

“Se eu lançar um single amanhã na Inglaterra, ninguém tocaria no rádio, o que é extraordinário. Até porque não teria essas batidas eletrônicas modernas e tolas de hoje em dia. Então, não importa o que aconteça, eu sempre parecerei estar contra a corrente, seja ela qual for”.

Morrissey, em entrevista para a Reactor FM, emissora de rádio da Cidade do México

 

“É fake. Não me desce. Quando as bandas voltam, elas vão direto para os estádios e assinam grandes contratos de merchandising. Você nunca ouve que determinada banda está voltando na surdina, ensaiando por um ano no interior e saindo juntos. Eles sempre voltam só pelo dinheiro e pelos shows nos estádios. E isso não me cai bem. Quando você forma uma banda no começo você tem uma certa atitude, o mundo ainda não ouviu você e você quer que o mundo te ouça. Mas quando você está em uma situação em que todo mundo está esperando por você, não é a mesma coisa. Nunca vai ser a mesma coisa e você não é a mesma pessoa. Mas as pessoas têm na cabeça quando ouvem as músicas antigas que as pessoas que fizeram aquela música são as mesmas até hoje.”

Morrissey, em entrevista para a Reactor FM, emissora de rádio da Cidade do México

 

“Eu quero chegar às pessoas, mas sem ter uma gravadora por trás pagando jabá e enfiando minha música ouvido à dentro. No fucking way. Não faço música para isso.”

Thiago Pethit em entrevista ao blog Banda Desenhada

 

 

“Alguns colegas costumam dizer: “Quero tocar no rádio! Quero ser pop!”. Eu nunca falei isso! Essa não é a minha vontade. Não quero tocar na novela das oito, sabe? É engraçado, não sei o que aconteceu, mas, a partir de 2010, ficou muito legal você dizer que quer ser popular. Até compreendo quem queira tocar nas novelas, assim como compreendo os atores que atuam nelas. E, francamente, se me oferecerem uma boa grana, óbvio que vou aceitar, porque também sou um ser humano e tenho contas para pagar! Mas nunca fiz música com este objetivo. Para mim, novela é uma bobagem, é algo que está fora da minha crença. Não há nenhuma subversão! Não pretendo contribuir com isso. Só que, por manter esse discurso, me chamam de pedante, entojado e hipster! Sei que a minha geração tem essa postura de querer ser popular… não sei… também quero chegar em todo mundo, quanto mais gente, melhor, mas não por esses meios convencionais.”

Thiago Pethit em entrevista ao blog Banda Desenhada

 

“Muitos baianos queriam ser pop, rock, não axé. Mas foi o axé que trouxe para aqui Paul Simon, David Byrne, Michael Jackson. Não há nada no mundo pop tão moderno quanto a Timbalada, como o Olodum. O pior são as empresas de eventos criadas por artistas para servir a eles mesmos. Não temos produtoras para lançar produtos novos. Essas produtoras e as rádios começaram a tirar o espaço do novo. Não dá para um artista que está surgindo agora pagar para uma rádio o mesmo que Chiclete ou Claudinha. A rádio baiana ainda recebe para tocar. O jabá está institucionalizado porque ninguém foi contra. O novo, que é o que oxigena o mercado, acabou sumindo”.

Wesley Rangel, empresário, produtor e dono da gravadora WR, em entrevista à revista Muito do Jornal A TARDE

 

“Quem fica defendendo o Ecad, como está hoje, ou não sabe nada de direito autoral ou é mal intencionado.”

Ivan Lins, no site GritaBR

 

“Todo ano aparece alguma matéria que reproduz a capa do “Tropicália” com os novos nomes da música. Isso é desnecessário. Soa como se houvesse a necessidade de um apadrinhamento. Acredito que cada geração deva falar por si e contestar sadiamente a anterior.”

Jair Naves em entrevista ao blog Banda Desenhada

“(…)eu subo no palco e trato aquilo como a melhor coisa que tem que ser, porque eu também quero que seja o melhor momento da vida das pessoas que estão assistindo. Se você faz uma coisa só por dinheiro, aquilo fica chato, entediante. Se eu não quisesse mesmo estar fazendo o que faço, eu não estaria fazendo. Não há qualquer razão que não seja a emoção da experiência.”

Robert Smith, em entrevista ao portal UOL

 

“Eu não acho mesmo que muitas pessoas estão qualificados para serem grandes. Você tem que saber que muitos artistas realmente grandes são totalmente idiotas na vida real. É um truque. (…) E eu ainda não tenho certeza se há um ser humano sobre a Terra para ser isso.”

Robert Smith, em entrevista ao portal UOL

 

“Os Racionais são o braço armado do governo, são os anseios dos intelectuais petistas, propaganda de um comportamento seminal do PT. Não acredito em cara ressentido. Emicida, Criolo, todos têm essa postura, neguinho não olha, não te cumprimenta. Vai criar uma cizânia que nunca teve, ódios [raciais] estão sendo recrudescidos de razões históricas que nunca aconteceram aqui. Estão importando Black Panthers, Ku Klux Klan. Tem essa coisa de “branquinho, perdeu, vamos tomar seu lugar”. Como permitem esse discurso?”

Lobão em entrevista ao jornal Folha de São Paulo

“Conheci o Lobão em 1996. Cumprimentei e depois disso nunca mais o vi. Sinceramente não tenho o que falar da pessoa dele. Estranho o Lobão falar de mim sem nunca ter me conhecido. Não entendo a postura dele agora. Ele pregava a ética e a rebeldia. Age como uma puta para vender livro. Nos anos 80 as ideias dele não fizeram a diferença para a gente aqui da favela. Ninguém é obrigado a concordar com ninguém, nem ele comigo. O Lobão está sendo leviano e desinformado. Tô sempre no Rio de Janeiro, se ele quiser resolver como homem, demorô! Do jeito que aprendi aqui.”

Mano Brown respondendo a Lobão pelo twitter

“O rap tem uma coisa interessante que foi a coisa que mais me fascinou na cultura do hip hop. É essa autoestima, de saber levantar, de falar “nada pode me parar, o mundo é nosso”. Não só seu, não só meu, o mundo é nosso. E acho que isso foi a coisa mais legal que o rap me deu, essa consciência de que eu não tô aqui de passagem. Tô de passagem, mas não tô a passeio. Tô aqui pra fazer alguma coisa, e isso é importante pra caramba. Por isso que eu sou foda.”

 


Marcelo D2, em entrevista ao portal Terra

“Que filho da p***. Não é show de covarde. Se não está gostando, a porta de saída é ali. Vá a p*** que o pariu!”,”Eu tenho 76 anos! Eu tenho 76 anos! Sou um homem de respeito! Durante toda a vida, respeitei vocês. Toda a vida, respeitei vocês! Vai tomar no c*!”

 


Tom Zé reagindo após um espectador atirar um copo de cerveja no palco durante um show realizado no Rio de Janeiro

“No Brasil há essa mania do novo, do novo, do novo… o novo somos nós, porra! Somos nós produzindo coisas, revisitando coisas. A novidade pode estar no modo de interpretar, no modo de tocar. Para mim isso também é o novo.”

Jards Macalé, em entrevista ao site Banda Desenhada


“Para mim nunca houve essa divisão de erudito e popular. Música é música, independente dessas catalogações que vivem sendo inventadas. Nunca vi tantos rótulos na minha vida! Fico até meio perdido naquilo tudo, viu? Quem sou eu? Quem sou eu?! [Gargalhadas]. A música tem que ser livre! Para mim, a liberdade é a primeira motivação para se fazer música, para querer tocar um instrumento ou compor. Não podemos nos prender a catalogações. A música é muito maior do que isso. Os rótulos só valem para o mercado, para a divisão de marketing das gravadoras. Um estilo influencia outro, se incorpora a outro. No final tudo se mistura. Não tem esse negócio. A música tem é que romper a barreira do som!”

Jards Macalé, em entrevista ao site Banda Desenhada


“Vivi em uma penúria braba. Não passei fome, mas em termos de produção e de viver dessa produção foram tempos muito difíceis. Minha mãe me bancou até os cinquenta anos! Quando não conseguia fechar o mês, ela fechava. Eu fiz 70 agora. Então há vinte anos que eu não dependo mais de minha mamãezinha! [Risos]. E isso é uma coisa de louco, né? Tive muitas crises. Cheguei a falar que a música não prestava! Que era maluquice! Mas aí pegava o instrumento e desistia de desistir… Tem uma hora que você percebe que se largar de mão o prejuízo será maior. Mas até hoje a coisa é difícil. E isso vale para todo mundo.”

 Jards Macalé, em entrevista ao site Banda Desenhada


“O dia que eu sentir que não sou útil, o dia que eu, com o meu senso crítico, meu senso autocrítico, perceber que eu não sou útil, vou tomar meu boné. Porque eu vejo que a geração é nova. Estou olhando o rosto de vocês: outras pessoas, outras visões, outras mentes, outras inteligências. Os novos: vocês são os novos, e os novos sempre vencerão, porque o novo sempre há de vir. O caminho deve ser aberto para os novos. Mas veja bem, veja bem, veja bem: não adianta os novos repetir os erros dos velhos, porque aí a novidade foi pra casa do caralho. Repetir o mesmo erro não vale. O novo tem que trazer proposta nova, ok? Não é reclamar de velhos problemas: propostas novas, para velhos problemas. Precisamos de vocês: propostas, propostas. Internet é um veículo para organizar a paz e a guerra, o abuso. Você pode usar a internet como bem entender. Eles estão votando a maioridade penal. Eu quero ver você entrar na internet e bater de frente. Entrar na onda daqueles que usam a internet pra mediocridade? Quero ver você assumir sua posição: o novo, o novo. Nós estamos em 2013. Eu estou velho. Vocês são novos. Quero ver você. Repetir o erro dos velhos não é evolução, é acomodação, ok? Nós erramos pra caralho. A minha geração errou demais, tanto que tem poucos vivos. Certo, meu parceiro? Estamos em Sumaré, e eu vim aqui há 20 anos. Eu lembro como era Sumaré há 20 anos. Mudou pra caralho. Mudou pra melhor, morou? Mudou pra melhor. E nós estamos aqui. Precisamos de vocês. Precisamos de você. Quero ver vocês. Nós temos que fazer sabe o quê? Desconstruir toda a nossa noção de celebridade, de fama, de riqueza. Nós temos que desconstruir tudo isso, mano. Mas vocês têm que fazer isso: desconstruir, acabar com isso. A caça às celebridades é coisa pra otário. Tem que desconstruir isso. Vocês vão começar do zero, começar do zero. A geração nova tem que começar do zero. Porque o que foi feito de errado não cicatriza, não está cicatrizando. Você tem que recomeçar. Vida nova. Vida nova”.

Mano Brown num discurso em show em SUmaré em São Paulo, transcrito pelo jornalista Pedro Alexandre Sanches


“Nós não tínhamos vendido bem um dos shows, por isso o promotor queria que eu fosse no rádio. Então eu disse: ‘Tudo bem, eu vou fazer a entrevista’. Bem, então isso não foi suficiente, eles queriam que eu falasse sobre cinco músicas punk e eu disse a eles: ‘Eu não gosto de punk’. Eles [indústria musical] têm que ter um lugar para me colocar para fazer referência. E eles acham que têm que explicar isso a um público de pessoas menos inteligentes ou educadas. Tudo bem, mas é entediante.”

Iggy Pop, em uma entrevista concedida à revista Classic Rock


“Estas manifestações todas que estão acontecendo por aí, eu apoio, mas elas têm que migrar para a arte. Vocês sabem por que eu não toco nas rádios? Porque eu não pago jabá. E sabem por que eu não apareço na tevê? Porque não entro nesse tipo de jogo. É preciso tirar a máscara. Isso também tem que acabar.”

Alceu Valença em show na vila de Imbassaí, Mata de São João, Bahia

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