Relançamentos da música brasileira

Continua chegando às lojas, caixas, relançamentos e até raridades que nunca haviam sido lançadas em CDs.  As gravadoras estão caprichando ao apostar nas “velharias”, com artistas consagrados, obscuros, discos clássicos e relançamentos em vinil disponibilizados para o público. Se não cumprem o papel de atualizar nossa música, ao menos que mantenham os catálogos repletos de preciosidades. Vamos ver o  material que está sendo lançado:

galboxGal encaixotada

Os mais importantes e melhores discos da baiana Gal Costa estão no começo de sua carreira até os anos 80. São justamente os  albuns desse período que estão reunidos na caixa Gal Total, que a Universal Music está colocando no mercado, com a organização de Marccelo Fróes. No total são 15 álbuns gravados entre 1967 e 1983, na extinta gravadora Philips, hoje Universal, que inclui quase toda a obra da cantora no período, com exceção de “Temporada de Verão – Ao Vivo na Bahia”, disco assinado por Gal Costa com Caetano Veloso e Gilberto Gil. A caixa inclui, no entanto, um bônus bem interessante, a coletânea dupla “Divina, Maravilhosa”, que possui 28 faixas lançadas de forma avulsa durante a carreira da cantora e só encontradas em coletâneas e algumas nem isso, estando até então inéditas em CD. São músicas retiradas de discos de festivais, ao vivo, coletâneas carnavalescas, trilhas-sonoras, álbuns de outros artistas e compactos. Entre as faixas estão pérolas três canções de Gilberto Gil para a trilha do filme Brasil Ano 2000, de Walter Lima Jr., entre elas “Homem de Neanderthal” e “Canção da Moça”; um dueto com Sidney Miller, “Ora, Acho que Vou-me Embora”, gravado para um álbum do compositor; uma versão funk e rara de “Clariô”, de Péricles Cavalcanti; “Carnaval Chegou”, extraída de projeto de Carnaval que juntou vários artistas em 1972; a música de Edil Pacheco e Paulinho Diniz, “Estamos Aí”, lançado em compacto de 1972; “Acorda pra Cuspir”,  música de Haroldinho Sá gravada em compacto de 1973; as duas faixas do compacto duplo que incluía Você Não Entende Nada (Caetano Veloso) e a versão original de Vapor Barato (Jards Macalé/Waly Salomão); além de outras presentes em discos de Torquato Neto, Erasmo Carlos, Ney Matogrosso e Maria Bethânia. Essa é a terceira vez que os discos de Gal são relançados em CD – a primeira foi em 1993, na série Colecionador, e, anos depois, em edições melhores -, mas agora, além dos discos, a caixa conta com um livreto de textos e entrevistas históricas e encartes dos álbuns contendo todas as letras. Os CDs são remasterizados a partir dos tapes originais e a edição é limitada. Confira os  15 álbuns  presentes na caixa:

1. Domingo (1967) – com Caetano Veloso
2. Gal Costa (1969)
3. Gal (1969)
4. LeGal (1970)
5. Fa-Tal – Gal a Todo Vapor (1971)
6. Índia (1973)
7. Cantar (1974)
8. Gal Canta Caymmi (1976)
9. Caras e Bocas (1977)
10. Água Viva (1978)
11. Gal Tropical (1979)
12. Aquarela do Brasil (1980)
13. Fantasia (1981)
14. Minha Voz (1982)
15. Baby Gal (1983)

caixa-preta-loja Caixa Preta de Itamar

Menos famoso, mas também fundamental na música brasileira, o compositor paulista Itamar Assumpção (morto em 2003) também está ganhando uma caixa com seus discos. Batizada como Caixa Preta e lançada pelo Selo Sesc, o box reúne todos os 12 álbuns do vanguardista, incluindo dois discos inéditos, todos remasterizados em edição com alta qualidade e formato de mini-LP, contando com reproduções dos encartes originais. Há ainda um livreto com ilustrações de Antonio Peticov e textos de Arnaldo Antunes, Thaíde, Zélia Duncan, Patricia Palumbo, Carlos Rennó, entre outros. Nos discos, algumas preciosidades, como a versão de “Não Vou Ficar”, de Tim Maia, inédita em disco, que entra como faixa bônus em “Às Próprias Custas S/A”, de 1982. Os discos inéditos trazem vários artistas fazendo versões para obras inéditas de Itamar. Em “Pretobrás II – Maldito Vírgula”, produzido por Beto Villares, que também toca violão, guitarra e melotron, nomes como Seu Jorge, Duo Fel, BNegão, Arnaldo Antunes, Iara Rennó, Orquídeas do Brasil, Edgard Scandurra, Elza Soares e, ainda, as filhas Anelis e Serena e os netos Bento e Rubi. São 14 faixas com a presença de Itamar cantando e tocando violão. Já “Petrobrás III – Devia ser Proibido”, produzido por Paulo Lepetit, da banda Isca de Polícia, que acompanhava Itamar, traz o próprio grupo em 15 canções inéditas, com participações de nomes como Naná Vasconcelos, Zélia Duncan, Arrigo Barnabé e Ney Matogrosso fazendo duetos com Itamar. Além dos discos de carreirae dos dois inéditos, a caixa traz ainda o álbum “Isso Vai Dar Repercussão”, de Itamar com Naná Vasconcelos, e “Pretobrás – Por que que Não Pensei Nisso Antes?”, songbook de Itamar, em dois volumes, organizado por Luiz Chagas e Mônica Tarantino, com textos, fotos, depoimentos e partituras. O preço da caixa é de R$ 150 – Compre aqui


1. Beleléu Leléu Eu (1980)
2. Às próprias custas S.A. (1982)
3. Sampa midnight (1983)
4. Intercontinental – quem diria? Era só o que faltava (1988)
5. Bicho de sete cabeças Vol I (1993)
6. Bicho de sete cabeças Vol II (1993)
7.Bicho de sete cabeças Vol III (1993)
8. Ataulfo Alves por Itamar Assumpção pra sempre agora (1996)
9. Pretobrás – Porque que eu não pensei nisso antes? (1998)
10. Vasconcelos e Assumpção – Isso vai dar repercussão (2004)
11. Pretobrás II – Maldito Vírgula (2010)
12. Pretobrás III – Devia ser proibido (2010)

legiaocaixa3dNova caixa com tudo da Legião

Com uma das discografias que mais vendem e rendem lucros no Brasil, cerca de 250 mil cópias anuais, num total de 14 milhões de unidades até hoje, com uma obra que nunca  saiu de catálogo, a Legião Urbana ganha uma nova caixa reunindo seus disocs.  Um projeto ambicioso e de luxo, inspirado na caixa dos Beatles, que reúne os oito álbuns de estúdio da banda e que sai em três formatos, caixa com todos os volumes, CDs avulsos e vinil. O box “Legião Urbana” está sendo lançado quinze anos após “Por Enquanto 1984/ 1995”  e reúne desde o primeiro trabalho de 1985 até “Uma Outra Estação “, de 1997. Sem músicas extras ou inéditas, a caixa inclui os discos em vinil, sendo que os dois últimos são inéditos no formato e por usa duração foram divididos em dois volumes, encartados na mesma capa dupla.  A gravadora não incluiu entre os relançamentos os discos ao vivo “Música p/ Acampamentos” (1992) e “Acústico MTV” (1999). O trabalho chega às lojas com edições de capa dupla, com encartes ampliados, que incluem fotos e textos inéditos ,escritos pela jornalista Christina Fuscaldo sobre o processo de gravação de cada álbum. Todo o material teve um cuidado também  no trato das músicas, que ganharam remasterização em Abbey Road, mas  que não são inéditas, já que foram feitas em 1995 e já disponibilizadas no período. O que chama atenção são os valores  dos discos de vinil, que apesar de ser facilmente encontrado por menos  de R$5 em sebos, está sendo relançado por altos valores. Os preços sugeridos pela gravadora (sujeitos a variações determinadas pelas lojas)  vão de R$ 120 (Vinis simples de  “Quatro Estações” e “Descobrimento Do Brasil”) e R$ 140 (Vinis simples de “Legião Urbana”, “Dois”, “Que País é Este” e “V”) a R$ 190 (Vinis duplos de “A Tempestade” e “Uma Outra Estação”). O box tem tiragem limitada de 2 mil exemplares e sai por R$ 350.


1. Legião Urbana (1985)
2.  Dois (1986)
3. Que País É Este? 1978 – 1987 (1987)
4. As Quatro Estações (1989)
5. V (1991)
6. O Descobrimento do Brasil (1993)
7. A Tempestade (1996)
8. Uma Outra Estação (1997)

caixa_bethO inicio de Beth Carvalho em caixa

Considerada uma das maiores cantoras de samba da história, Beth Carvalho está com parte de sua carreira relançada em uma caixa. O trabalho envolve o início da vida artística da cantora, mais especificamente a  primeira década. Daí . ter sido batizada como “Primeiras Andanças – Os 10 primeiros anos”. Fruto,  mas uma vez do trabalho do produtor e pesquisador musical Marcelo Fróes, que reconstitui e embalou numa caixa cinco CDs, duas coletâneas com 29 gravações avulsas e três álbuns lançados por Beth na extinta gravadora Tapecar entre 1973 e 1975. As coletâneas trazem gravações dos anos 60 e 70, ainda na Odeon, feitas ao lado do trio 3D, comandado por Antônio Adolfo, e incluem duetos com Taiguara, com os Golden Boys e com Agostinho dos Santos, e uma participação de Milton Nascimento tocando violão na faixa “Sentinela”. Os discos trazem também canções ao vivo, retiradas de participações em festivais, trilhas sonoras de novelas e de seu primeiro LP, “Andança”, de 1969. Entre as raridades, a primeira coletânea, Primeiras Andanças – Vol. 1 (Anos 60), traz os dois duetos com Agostinho dos Santos (1932 – 1973), lançado num LP do cantor em 1967, além da primeira das poucas composições da cantora, “Guerra de Poeta”, parcceira com Paulinho Tapajós presente no LP III Festival Internacional da CançãoVol.1, de 1968. A segunda, Primeiras Andanças – Vol. 2 (Anos 70), traz entre as raridades a única parceira entre  Chico Buarque e Carlso Lyra, “Essa Passou”, gravado num compacto em 1971 com o grupo Som Três, além da gravaçãodo samba-enredo da Estácio de Sá “Rio Grande do Sul na Festa do Preto Forro”, que saiu num compacto em 1972. Os encartes trazem textos de Marcelo Fróes, fruto de entrevistas com a cantora, que abordam a vida e a carreira de Beth Carvalho, com várias curiosidades, como suas participações nos festivais de música ou sua gravação de bossa-nova, num compacto de 1965. Depois  da passagem pela Odeon, Beth migraria  para a Tapecar, mergulhando de vez no samba. Lá lançou os três  álbuns presentes nessa caixa: “Canto por um Novo Dia” (1973), “Pra seu Governo” (1974) e “Pandeiro e Viola” (1975), que já haviam sido lançados em  CD, mas que agora tiveram som remasterizado, arte gráfica original, textos sobre cada disco e ficha técnica completa. “Canto por um Novo Dia” tem arranjos do pianista César Camargo Mariano e traz Beth cantando músicas de então jovens compositores Martinho da Vila e João Nogueira e da velha guarda do samba, como a clássica gravação de “Folhas Secas”, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Já “Pra seu Governo”,  produzido por Paulo Moura e Orlando Silveira e com um texto de Mário Lago,traz seu primeiro grande sucesso nacional, “1.800 colinas”, de Gracia do Salgueiro, além de uma participação de Nelson Cavaquinho tocando violão em “Miragem”. Finalmente, “Pandeiro e Viola”, com direção musical de Ed Lincoln, reúne sambas de Martinho da Vila, Ivone Lara e Noel Rosa, e traz como bônus nesse relançamento as faixas “Alegria” de Quincas e Claudemiro e  “Pesquisa” de Geraldo Neves, sobras de coletânea lançada em 1977. A caixa está sendo colocada no mercado pelo Selo Discobertas pertecentente ao próprio Fróes.


1. Primeiras Andanças – Vol. 1 (Anos 60)
2. Primeiras Andanças – Vol. 2 (Anos 70)
3. Canto por um novo Dia (1973)
4. Prá Seu Govêrno (1974)
5. Pandeiro e Viola (1975)

Coleção Cultura

Outra preciosidade que está chegando às lojas é a Coleção Cultura, lançada pela Livraria Cultura em parceria com a Sony/BMG e com curadoria do músico e pesquisador musical, Charles Gavin. São dez títulos, sendo oito de música brasileira, disponibilizados em CD, alguns raros e inéditos e todos remasterizados, com as embalagens e os encartes seguindo as edições originais. Os internacionais são “What’s new” (1962) de Sonny Rollins e “Bossa Nova USA” (1963) de The Dave Brubeck Quartet, álbuns inéditos no Brasil de dois jazzistas norte-americanos que se inspiraram nos ritmos brasileiros bossa nova, samba-rock e samba-jazz. Os discos estão a venda por R$ 29,60, cada um, nas lojas da Livraria Cultura e no hot site da Coleção. São álbuns relevantes  e bastante interessantes, que merecem atenção, dê um saque:

“Os Ipanemas” – Os Ipanemas (1964)

osipanemasÚnico álbum do quinteto, que contava com Wilson das Neves tocando bateria e berimbau. O disco se tornou uma raridade, já que a gravadora CBS vetou seu lançamento por considerar sua sonoridade muito moderno. Algumas cópias, entretanto, já haviam chegado em algumas lojas. No disco, o grupo mescla samba, jazz, gafieira, bossa nova, ritmos afro-cubanos e berimbau, num repertório que vai de clássicos da MPB, como “Garota de Ipanema” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e “Nanã” (Moacir Santos e Mario Telles) à composições dos próprios integrantes do grupo.

“Vela Aberta” – Walter Franco (1980)

Twalterfranco-velaabertaido como um dos malditos da música brasileira, Walter Franco alcaçou  um relativo sucesso em 1979 com a música “Canalha” no Festival da Canção da TV Tupi. Embalado com a novidade, entrou em estudio para gravar seu álbum mais acessível. Além de “Canalha”, entraram no disco outras dez composições de Franco, entre elas, “Feito Gente” e “Me deixe mudo”, crítica à censura que já havia se tornado conhecida graças a gravação feita por  Chico Buarque no álbum “Sinal fechado”, de 1974, e pelo próprio Franco no clássico “Revolver”, de 1975.

“Som, Sangue e Raça” – Dom Salvador e Abolição (1971)

domsalvadorA mistura de samba, MPB, funk, soul e jazz foi inaugurada com esse disco do  pianista Dom Salvador com sua banda Abolição, que acabou influenciando várias gerações depois deles e contribuindo para a modernização de nossa música. A sonoridade rica com fusão de elementos diversos ganhava mais força com letras que abordavam a questão social e a posição do negro na sociedade de então. Até o rap atual deve a esse disco, que já havia sido lançado em CD  anteriormente numa outra série. A banda Abolição era o embrião doque viria a se tornar a Banda Black Rio.

Edison Machado É Samba Novo” – Edison Machado (1964)

edisonmachadoPara muitos esse disco é a maior preciosidade dessa coleção. Inventor do “samba no prato”, o baterista Edison Machado tocou com quase todo mundo da Bossa-Nova, mas acabou esquecido no Brasile nos anos 70 partiu para o exterior onde ajudou a popularizar o samba-jazz. Nesse disco de estréia se cercou de um time de  responsa, que inclui Moacir Santos, J. T. Meirelles, Paulo Moura, Maciel, Raul de Souza, Pedro Paulo, Tenório Jr. e Tião Netto. Com arranjos do maestro Moacyr Santos, o disco reúne 11  composições que mesclam bossa-nova, jazz, gafieira, entre outras coisas, incluindo versões para “Nanã” (Moacir Santos e Mario Telles), “Menino Travesso” (Vinicius de Moraes e Moacir Santos) e “Só por amor” (Baden Powell e Vinicius de Moraes).

“A Peleja do Diabo com o Dono do Céu” – Zé Ramalho (1979)

O zeramalho-pelejasegundo disco oficial do cantor e compositor paraibano, já que o obscuro “Paêbiru” nunca foi reconhecido, mostra que Zé Ramalho não era apenas uma promessa. Mesclando ritmos  nordestinos com rock e folk e se tornando um dos precursores da sonoridade que marcou os anos 70 no Nordeste, este disco é um dos clássicos do cantor e compositor paraibano. Nele estão pérolas imortais como “Admiravel Gado Novo” e “Frevo Mulher”, além  de uma capa antológica que trazia, como num cordel, Ramalho como o “Dono do Céu” sendo atacado pelo diabo, Zé do Caixão acompanhado da atriz Xuxa Lopes.

“À Vontade Mesmo” – Raul de Souza (1965)

raulzdesousaDisco de estreia do trombonista que se destacava no começo dos anos 60 se apresentando nas casas nortunas do Rio e São Paulo e é considerado por muitos como o mais completo, versátil e expressivo trombonista brasileiro de todos os tempos.  A obra,  que traz o  músico acompanhado do Sambalanço Trio, formado por Cesar Camargo Mariano, Airto Moreira e Humberto Clayber, mantém o clima de jam session em músicas como “Inútil Paisagem” (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira) e “Samba do Avião” (Tom Jobim).

“Embalo Trio” – Embalo Trio (1965)

embalotrioJovem banda instrumental, que na  época do lançamento deste disco de estréia contava com músicos com  idade ente 16 e 19 anos. No  período, surgiram diversas bandas instrumentais de bossa-nova e samba-jazz,  muitas delas apenas com um registro, como o Embala Trio. Seguindo o sucesso da época, o trio de músicos gravou canções dos aclamados Tom Jobim, Carlos Lyra e Baden Powell, além de músicas de jovens compositores. É o caso de Edu Lobo, que  aparece com cinco canções no álbum e de Luiz Carlos Sá, que teve sua “Giramundo” registrada e que mais tarde se consagraria no trio com Guarabira e Zé  Rodrix.

“Karma” – Karma (1972)

karmaPrimeiro e único disco lançado pelo grupo carioca de folk rock progressivo e melódico, que chamava atenção pelo uso da tritarra (guitarra com três braços) de Jorge Amiden, ex-integrante d’O Terço e considerado o nosso Syd Barrett. O disco, um  clássico do rock brasileiro, foi produzido por Arthur Verocai e acabou sendo o estopim para o término da banda, que encerrou as atividades durante a turnê de lançamento. O grupo ainda voltou a se reunir em 1976, participando do LP Banda dos Contentes de Erasmo Carlos e acabando de vez em 1978.

Clássicos em Vinil

vinisReativada pelo empresário João Augusto, presidente da gravadora independente Deckdisc, a fábrica de vinil  Polysom voltou a funcionar com a missão de lançar e relançar disco no velho formato. Além de colocar trabalhos novos no mercado, a fábrica conseguiu licença das gravadoras Warner e Universal para relançar vários álbuns marcantes da MPB e pop nacional. Através da série “Clássicos em Vinil”, a empresa já disponibilizou reedições de clássicos de Jorge Ben, “A Tábua de Esmeraldas ” (1974) e “África Brasil” (1976), o primeiro disco do Ultraje a Rigor, “Nós Vamos Invadir sua Praia” (1985) e de Tom Zé,  “Todos os Olhos” (1973), aquela da controvertida capa da bolinha de gude. Todas as reedições sãoem vinil de 180 gramas remasterizadas e com reprodução da arte gráfica dos LPs originais. Os próxímos álbuns da série são “Estudando o Samba” (1975), de Tom  Zé; “Aqui, Ali, Em Qualquer Lugar” (2001), de Rita Lee; os dois primeiros dos Titãs, “Cabeça Dinossauro” (1986) e “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas” (1987);  “Sexo”,  do Ultraje a Rigor; os dois primeiros do Secos & Molhados (1973 e 1974), além de “Afrociberdelia”, de Chico Science & Nação Zumbi.

Gil pré-tropicália

Não param por ai as preciosidadescapa_GilbertoGil_Retirante que estão chegando ao mercado. Uma delas traz à tona obras raras do cantor  e compositor Gilberto Gil. São 32 gravações feitas entre 1962 e 1966, antes do sucesso tropicalista de “Domingo no Parque”, reunidas num CD duplo batizado como “Retirante” e lançado pelo selo Dicobertas de Marcelo Fróes. Parte dessas gravações são ainda de quando Gil morava na Bahia e havia chegado ao mercado através da gravadora baiana JS, do radialista, músico e publicitário Jorge Santos. Através dela, o cantor fez sua primeira gravação, tocando acordeon no disco do trio vocal “As Três Baianas”. Isso não está no Cd duplo, mas a estréia da carreira solo, também pela JS, está lá. Trata-se do primeiro disco do artista, um 78 rotações,  com as músicas “Povo Petroleiro”, um jingle da Petrobrás, e “Lacerdinha”, ambas de Everaldo Guedes e presentes nessa reedição, sendo que a segunda com o nome “Coça Coça Lacerdinha”. Também fazem parte do catálogo da JS outras músicas presentes no lançamento duplo, incluindo as primeiras composições “Serenata do Teleco Teco”, “Meu Luar, Minhas Canções”, “Maria Tristeza” e “Vontade de Amar”, retiradas do compacto duplo “Gilberto Gil – sua Música, sua Interpretação”, lançado em 1963 e de onde foi retirada também a capa de “Retirante” (foto). Essas músicas já haviam sido lançadas num CD coletânea especial com obras de sucesso lançados pela JS (três delas) e na coletânea “Salvador, 1962 – 1963”, lançada em 2002 dentro da caixa “Palco” e  em seguida para venda avulsa. Além dos primeiros discos de 78 rpm lançados pela JS, “Retirante” contém também singles lançados por selos como RCA (atual Sony) e Philips (atual Universal), compactos, discos de 78 rotações, fitas demos e projetos coletivos. De 1966, com Gil já tentando a carreira em São Paulo, há uma fita demo com 18 músicas gravadas em voz e violão pela editora musical Arlequim e que seriam oferecidas para ouros cantores. Desse material estão composições em parceria com Caetano Veloso e Torqueato Neto e outras praticamente inéditas, como “A Última Coisa Bonita” (1963), “Retirante” (1964), “Me Diga, Moço” (1964) e “Rancho da Boa Vinda” (1966). Praticamente porque as duas de 64 já haviam sido lançadas no filme de curta-metragem “Roda & Outras Estórias” (1965), de Sergio Muniz, onde aparecem com outros títulos, “Retirante” como “Eu Vou Voltar” e “Me Diga Moço” como “Ô Seu Moço”. A coletânea dupla traz ainda registros seminais de canções como “Proceissão”, “Roda”, “Yemanjá” e “Minha senhora”. Além das gravações, “Retirante”, que contou com supervisão do próprio Gilberto Gil, traz um encarte de 16 páginas coloridas com bastante informações  e texto de MarceloFróes dissecando o início da história do músico baiano e de cada uma das músicas presentes na coletânea.

Elza Soares reeditada em CD

elzaOutros lançamentos do selo Discobertas que estão chegando às lojas  são os seis discos da cantora Elza  Soares, “Somos Todos Iguais ” (Som Livre, 1985), que nunca havia  sido lançado  em CD, “Elza Soares” (1974), “Nos Braços do Samba” (1975), “Lição de Vida” (1976) e Pilão + Raça = Elza (1977), os quatro lançados originalmente pelo selo Tapecar entre 1974 e 1977, além de “Voltei”,  que saiu em 1988 pela finada RGE. Estes cinco últimos não são inéditos, já que integraram a caixa Negra – editada pela EMI Music em 2003, e que vinham no formato dois em um. Eles  chegam agora em versão avulsa com áudio remasterizado e encarte que reproduzem as capas e contracapas originais. Os CDs trazem, além do repertório original, algumas faixas bônus, que incluem músicas inéditas em formato digital, históricos, fichas técnicas e detalhes sobre cada álbum.

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