ÀIYÉ supernada

No clima do faça você mesmo, Festival Supernada reúne nomes do indie nacional

Se não tem quem faça as coisas que gosta em sua cidade, vai lá e faça você mesmo. É nesse espírito “Do it yourself”, que acontece nos próximos dias 21 e 23 de Novembro, no Discodelia Pub, no Rio Vermelho, o Festival SUPERNADA 2025. A programação reúne seis atrações do cenário independente brasileiro, quatro outros estados e duas bandas baianas. Papangu, da Paraíba; Gastação Infinita, do Espírito Santo; e a banda Carcarás, de Salvador, se apresentam no primeiro dia, 21/11, sexta-feira. No domingo, dia 23, quem toca é ÀIYÉ, do Rio de Janeiro; Lau e Eu, de Sergipe/ São Paulo; e o projeto Jardim Soma, também soteropolitano.

O festival é daquelas pedidas para quem quer conhecer as novidades de verdade de nossa música, especialmente do ambiente indie e rock. A banda paraibana Papangu talvez seja a grande atração do evento este ano. Formado em 2012, o grupo faz uma ousada e consistente mistura de rock progressivo e música nordestina. Sem cair em clichês e caminhos fáceis, o sexteto faz um misto de jazz fusion, black metal e stoner rock, com elementos de gêneros típicos do Nordeste, como o forró e maracatu. A banda consolidou essa proposta em seu segundo álbum, Lampião Rei, um dos melhores lançamentos do ano passado. Em agosto deste ano, a Papangu levou seu som pela primeira vez para o exterior, com uma turnê internacional, com shows por setes países europeus. O grupo também está confirmado para o Lollapalooza Brasil, em 2026.

Na sexta-feira, o festival recebe também a efervescência Indie Rock/MPB da Gastação Infinita, uma banda capixaba que também não se satisfaz com um rock puro. Formada em 2018 por 5 jovens, o grupo mistura indie e garage rock, com gêneros regionais, como baião e ijexá. A noite recebe ainda a sonoridade profana de Blackened Doom e Darkwave da banda baiana Carcarás, uma novata na cena local.

Dois dias depois, no domingo, 23 de Novembro, o Supernada recebe a ousada etnografia sonora e colagem rítmica do projeto ÀIYÉ, da cantora, percussionista, baterista e produtora do Rio de Janeiro, Larissa Conforto. Acompanhada apenas de seus instrumentos, ela mostra um trabalho experimental pop, unindo atabaques, beats e synths numa combinação de ritmos e de conexão entre o sagrado e o profano. A programação desse dia tem ainda o pop experimental e folk de Lau e Eu (SE/SP), e o projeto que une rock, música brasileira e indie psicodélico do baiano Jardim Soma (BA), liderado por Luca Bori (Vivendo do Ócio).

Faça Você Mesmo

A ideia do “Faça Você Mesmo” ou “Do it yourself” (DIY) é um antigo método de construir, modificar ou consertar coisas por si mesmo, sem a ajuda direta de profissionais ou especialistas certificados. Surgiu nos anos de 1910, nos Estados Unidos, mas décadas depois, nos anos 1970, o punk adotou o método como lema. “Do it yourself” virou uma filosofia, “se você não gosta do que existe, faça você mesmo”. Os punks começaram a criar as próprias artes plásticas, as próprias roupas e, claro, seus próprios discos (dando início a um sistema de gravadoras independentes) e suas próprias publicações, os fanzines.

No Brasil, isso também pegou e seguiu sendo a lógica de todo universo da música independente durante anos. Atualmente, mesmo, ou talvez por isso, com internet, plataformas de streaming, grandes festivais e eventos de música, artistas gerando cifras vultuosas, todo um unierso da música permanceu à margem. As dificuldades só aumentaram com a pandemia, mas há sempre aqueles que se não tem quem faça as coisas que gosta, vai lá e adota o “faça você mesmo”.

Cairo Melo, o cara por trás da NHL produções e do festival Supernada, é um desses. Cansado de querer ver shows que ninguém tomava à frente pra fazer, foi lá e fez. Só nos últimos dois anos, trouxe bandas como Hoovaranas (PR), Lupe de Lupe (MG), Bella E O Olmo Da Bruxa (RS), Chococorn And The Sugarcanes (SP), Ator Carioca (MA), Cidade Dormitório (SE), Quarto Vazio (AL), Mãe Que Dá Medo (AL), Caeeki (AL), Aditive (SP) e The Nerval (EUA) (essas duas em parceria com a Nossa Produtora).

Ao longo das edições anteriores do Supernada, ele trouxe com o festival outros nomes de destaque do mundo indie nacional, como Catavento (RS), My Magical Glowing Lens (ES), Bike (SP), Papisa (SP), Deaf Kids (RJ), André Prando (ES), Amandinho (PE), Mãe que Dá Medo (AL) e Quarto Vazio (AL), além de inúmeras bandas locais, incluindo Van der Vous, Bagum, Bilic, Flerte Flamingo e Beirando o Teto.

Desde sua criação em 2016, o SUPERNADA busca sincronizar a cena baiana com o fluxo de artistas independentes de todo o país. O termo “SUPERNADA” resume a proposta do festival: “valorizar e celebrar os artistas que, por meio de seus próprios esforços, insistem em criar música original e intensa, sem se curvar a regras ou modismos.”

Cairo Melo, produtor geral e um faz tudo na produtora e no festival (“Na real toco tudo sozinho até o momento do show, que contrato um técnico de som e uma bilheteira pra me ajudar”), contou para gente um pouco mais das motivações e da importância de um festival deste porte para a cidade.

2024 e 2025 vem sendo anos fantásticos para o rock independente nacional, com bandas com verdadeiras legiões de fãs e nós, como apostadores da cena, ficamos muito felizes em ver as coisas voltando aos eixos e jovens colando em shows de rock e tendo bandas e vivendo os encontros reais e vangloriando as emoções a flor da pele.

Entrevista com Cairo Melo

Como foi que você montou o festival este ano?

Todo ano, como produzo esse festival e tô sempre ligado na movimentação das bandas e artistas independentes, percebi que o meses de novembro/dezembro são certamente os de maior movimentação de bandas de todas regiões do país, aqui no nordeste. Isso se deve, claro aos grandes festivais como Feira Noise, FASC, DoSol e Coquetel Molotov. Essa movimentação sempre incentiva as bandas a procurarem eventos em cidade próximas ou até fechar turnês pela região, aproveitando a vinda pra algum desses festivais. Então em 2025, depois de dois anos voltando a fazer edições do SUPERNADA (paramos entre 2020-2022 devido a pandemia e suas complicações pra cena musical independente), fiquei ligado, juntamente com Eldo Boss, proprietário do Discodelia Pub, para bandas que estariam de passagem na cidade e então entramos em contato com algumas e recebemos contato de outras e fizemos aquele jogo de encaixar nos dois dias projetos que conversassem entre si e que fossem algo de relevância na cena nacional pra trazermos pro Festival em 2025.

Qual o objetivo de fazer um festival alternativo hoje em dia, qual a importância para cidade?

Meu objetivo, como NHL, sempre foi dar palco aos grandes artistas que surgem do underground, tem coragem de pôr o pé na estrada e assim apresentar grandes obras de arte para o público baiano, além é claro de poder assistir os projetos que já amo e acompanho circulando pelo país. O SUPERNADA surge justamente como um modo de trazer o maior número de artistas de fora da Bahia que estejam circulando pela região nordeste nessa época do ano e então aproveitar e mostrar a arte desses gênios perdidos para o público baiano. Pra mim a importância é a seguinte, que se nós não juntássemos essa galera e esperássemos alguma grande produtora trazer essa banda, provavelmente ficaríamos de fora de mais uma turnê nordeste e nós definitivamente não precisamos perder mais uma chance de ver e ouvir maravilhas da música independente brasileira.

Como caracteriza essa edição 2025?

Como uma redenção. Definitivamente não foi fácil continuar produzindo depois que Pandemia assolou nosso meio, pensei em desistir muitas vezes vendo casas não conseguirem se manter e o público parecer esvaziar cada vez mais. Porém com o trabalho que viemos refazendo desde 2023, focando principalmente nas bandas mais jovens e que vem revivendo um espírito de rock de estrada, sem medo de fazer turnê, de passar dias na estrada e às vezes não ter o conforto total, e assim inspirando novas gerações a colarem nos shows, a começarem novas bandas. Na nossa opinião, 2024 e 2025 vem sendo anos fantásticos para o rock independente nacional, com bandas com verdadeiras legiões de fãs e nós, como apostadores da cena, ficamos muito felizes em ver as coisas voltando aos eixos e jovens colando em shows de rock e tendo bandas e vivendo os encontros reais e vangloriando as emoções a flor da pele.

SERVIÇO:

Evento: Festival SUPERNADA 2025
Datas: 21 e 23 de Novembro de 2025
Local: Discodelia Pub, Salvador/BA
Atrações: Papangu, Gastação Infinita, Carcarás, ÀIYÉ, Lau e Eu, e Jardim Soma.
Redes Sociais: @nhl_producoes

21/11 – SUPERNADA – Dia 1
Papangu (PB)
Gastação Infinita (ES)
Carcarás

23/11 – SUPERNADA – Dia 2
Aiyé (RJ)
Lau e Eu (SE/SP)
Jardim Soma

Para quem gosta de música sem preconceitos.

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