Filmes e documentários apresentam a música brasileira (parte 1)

Filmes e documentários tem assumido papel de contar melhor a história de música brasileira e de seus artistas.

cinemacapa2 Filmes documentáriosA música brasileira nunca teve sua história muito bem contada. Muitos nomes passaram despercebidos, alguns momentos não ganharam a devida importância, gêneros e estilos várias vezes nem foram lembrados, assim como artistas não tão famosos, mas importantes, tiveram suas trajetórias esquecidas. Nos anos 90, o publico pôde conhecer um pouco mais dessa música através de várias biografias e livros sobre música, além de séries de discos relançados em CD. Com as facilidades que as tecnologias têm permitido, a produção de filmes e documentários cresceu bastante no país e um dos filões que têm se aproveitado muito bem disso é o que trata da música brasileira.

Nunca se viu tanto a história de cantores, compositores, bandas e movimentos musicais ganhando as telas como agora. Filmes e documentários imprescindíveis que tem assumido papel de contar melhor a história de música brasileira e de seus artistas. Neles a exibição de registros muitas vezes esquecidos ou raros, depoimentos inéditos e muito material que deveria ter sido mostrado há mais tempo ajudam a entender melhor nossa música. Melhor ainda, é que muito desses filmes e documentários recontam histórias e consertam falhas e equívocos que haviam ficado como verdade, trazendo a tona situações e realidades que foram deixadas de lado e que o grande público até então não teve oportunidade de ter acesso. Além disso tudo, talvez o principal mérito, esses filmes têm dado o reconhecimento devido a nomes fundamentais de nossa música. Muitas vezes consertando erros históricos. Agora, com esse material nos cinemas, locadoras e TVs cresce a oportunidade de contar essas histórias a um público ainda maior que os livros. Nessa primeira parte do nosso especial sobre “filmes e documentários” alguns que já foram exibidos no cinema e estão chegando ou já chegaram a DVD e emissoras de TV:

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SIMONAL – NINGUÉM SABE O DURO QUE DEI

www.simonal.com

cartaz_simonal Filmes documentáriosWilson Simonal talvez seja o maior injustiçado da música brasileira. Não que tenha sido o melhor ou maior nome de nossa música, pode sim entrar entre um deles, mas foi o que sofreu o maior baque do esquecimento, caindo do mais alto degrau da fama para o ostracismo completo. “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei” é uma excelente forma de conhecer essa história, mostrando como um ultra famoso cantor nos anos 70 de forma abrupta e meio covarde foi colocado de escanteio pela mídia e pela classe artística e, em consequência, pelo público. Bonito, sensível e tentando mostrar os fatos sem tomar muito partido, o documentário conta desde o surgimento do fenômeno Simonal, um cantor negro e cheio de marra (algo incomum na época), até o fato que acabou com sua carreira, uma acusação de ter ligação com torturadores da Ditadura. Com vários relatos que mostram a importância de sua música e a grandiosidade de sua carreira naquele período, entrando pela fatídica acusação, o filme mantém o espectador com os olhos na tela e com os pés sempre balançando ao ritmo da gande música produzida por Simonal. Se não dá uma resposta única e pronta, o filme mostra como toda a acusação foi cruel com Simonal, estando ela certo ou não. O sentimento de quase todos os entrevistados é de culpa. Mesmo muitos não assumindo e outros tentando apontar dedo pra possíveis culpados, muitos que hoje acusam por terem abandonado o cantor não fizeram muito para tirar Simonal daquela situação, mesmo anos e anos depois. Fica claro que a maior culpada daquilo tudo foi a própria Ditadura, que conseguiu exterminar tantas coisas, inclusive a carreira de Simonal. A sensação final porém é de culpa, até o espectador sai como se tivesse que fazer algo para retribuir o legado deixado por Simonal e o pouco reconhecimento pelo seu trabalho. Um documento e tanto.

Tema: Wilson Simonal

Diretor(es): Micael Langer, Calvito Leal e Cláudio Manoel

Onde ver: icone_dvd

Nível:

Veja o Trailer:

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LÓKI

canalbrasil.globo.com/loki/

cartaz_loki Filmes documentáriosO premiado “Lóki” conta a história da vida de Arnaldo Baptista, músico, cantor, compositor e fundador de uma das bandas mais importantes da história no Brasil e no Mundo, Os Mutantes. E é dessa importância que fala o filme, mostrando tanto a vida quanto a obra do grande gênio da banda. Enquanto Arnaldo pinta uma tela, o filme segue passando por alguns dos principais momentos de sua carreira, revelando imagens históricas e depoimentos de familiares, amigos e artistas, entre eles Gilberto Gil, Tom Zé, Lobão, Nelson Motta, Sérgio Dias, Dinho Leme, Zélia Duncan, Liminha e Rogério Duprat, além de nomes internacionais, Kurt Cobain, Sean Lennon e Devendra Banhart, que reforçam a importância da música de Arnaldo. O sensível filme de Paulo Henrique Fontenelle revela diversas fases e faces da vida e carreira do músico, abordando desde a infância em São Paulo, indo para o auge na carreira com o sucesso dos Mutantes, o casamento e a separação com Rita Lee. Passa pelo fim dos Mutantes, a carreira solo e momentos mais complicados, como a depressão que o levou a tentar o suicídio. No período mais recente mostra a reaproximação com o irmão Sérgio Dias e a volta da banda em 2006 com o show em homenagem à Tropicália realizado em Londres, além de momentos mais íntimos na casa em Juiz de Fora, onde mora com a mulher. Entre momentos engraçados, obscuros e polêmicos, o filme revela que Arnaldo continua na ativa, tocando piano, teclado, bateria e baixo, e principalmente se dedicando à pintura. É uma boa oportunidade para se conhecer um pouco desse que é um dos grandes nomes de nossa música, mas que para maioria passou batido. Emocionante em alguns momentos, o filme mostra bem a dimensão da importância desse gênio.

Tema: Arnaldo Baptista
Diretor(es): Paulo Henrique Fontenelle

Onde ver: icone_dvd

Nível:

Veja o Trailer:

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Jards Macalé – Um Morcego na Porta Principal

Cartaz-Macale Filmes documentáriosDesconhecido pela maioria, endeusado por alguns e incompreendido por muitos. Assim é Jards Macalé, ícone da música brasileira mais obscura e de qualidade incontestável. Não dá para chamá-lo de “maldito”, que ele se ofende, como o filme mesmo apresenta. O filme mostra a trajetória do veterano cantor e compositor seguindo a própria cabeça e a carreira deste verdadeiro personagem. De forma nada linear, o próprio Jards narra momentos de sua vida e carreira. Logo no início, ele mostra sua personalidade, duvidando que os diretores Marco Abujamra e João Pimente sejam capazes de retratá-lo de forma coerente e ameaça processá-los. Contestador, controverso, polêmico, ousado e extremamente criativo, Macalé é o próprio fio condutor do documentário, contando histórias e personagens de sua trajetória. Mas há depoimentos fabulosos e importantes, sempre acompanhados de boas histórias. Entre eles Dori Caymmi, Jaguar, Nelson Motta, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, Nelson Pereira dos Santos, Luís Melodia, José Celso Martinez Correa, Chacal e Jorge Mautner. Autor de “Vapor Barato” e “Movimento dos Barcos”, parceiro principal de Waly Salomão, violonista e arranjador de Gal Costa e Caetano Veloso, ator e autor de trilhas de Nelson Pereira dos Santos, amigo pessoal de Lygia Clark e Hélio Oiticica, é sem dúvida um personagem muito interessante. O filme derrapa ao não contar determinados momentos cruciais na carreira do cantor, como a briga com Caetano e quando comia rosas em apresentações, além de insistir no registro de um mesmo show e oferecer poucas imagens antigas e de difícil acesso. Por mais que sejam padrão, elas poderiam ao menos rechear as histórias.

Tema: Jards Macalé
Diretor(es): Marco Abujamra e João Pimentel

Onde ver: icone_dvd

Nível:

Veja trecho do filme:

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Legendas:

Fundamental

Importante

Bom, mas veja só se for fã do tema

Vá por sua conta e risco

Evite

icone_pipoca – Cinema

icone_computador– Internet

icone_dvd – DVD

icone_tv– Televisão

  1. Massa a matéria, Lu. Realmente a época está sendo produtiva para o gênero. Só lembrando que outras décadas tiveram importantes docs musicais: Jon tob Azulay fez Doces Bárbaros, acompanhou e meteu ficção na tour de Luar de Gil; Bressane documentou Betânia em início de carreira; Leon Hirzman fez Nelson Cavaquinho. Alguns já podem ser encontrados em dvd.
    Abraço.

    1. Tem o dos Novos Baianos de 72 tb. mas o que acontece é que agora tem vários surgindo.. Essa foi a primeira parte, depois vou falar de vários outros. aguardem

  2. Ha alguns pontos interessantes no tempo neste artigo, mas eu nao sei se verei todos eles no coracao do texto. Ha alguma validade de fato, mas irei pegar algumas opinioes pra ter seguranca e depois olhar novamente para ele.

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