No final de 2024, a banda My Bloody Valentine anunciou que voltaria aos palcos depois de sete anos de ausência. O anunciado retorno estava originalmente planejado para o dia 22 de novembro, na 3Arena de Dublin, Irlanda. O retorno acabou sendo três dias antes, no The National Stadium, também em Dublin, mas apenas como um “esquenta” para o show que aconteceu dia depois.
Nos shows, o My Bloody Valentine tocou músicas de seus principais álbuns, Loveless e Isn’t Anything, além do mais recente, MBV, de 2013, e faixas dos EPs lançados entre 1988 e 1991. O repertório contou com 19 músicas, incluindo clássicos como “Only Shallow”, “Soon”, “You Made me Realise”, entre outras.
A apresentações marcaram os primeiros shows da banda desde o festival Desert Daze, na Califórnia, em 2018. O DJ cofundador da soononmmon Luiz SLY Balthazar, saiu de Milão para conferir esse retorno da banda e conta para o el Cabong como foi em texto e vídeos.
Os próximos shows (parte deles com ingressos esgotados) serão em 24 de novembro em Manchester, 25 de novembro em Londres e 27 de novembro em Glasgow. Depois, eles seguirão para a Ásia para uma série de shows, incluindo uma apresentação no festival Clockenflap, em Hong Kong. E em junho de 2026, eles vão se apresentar no Primavera Sound, em Barcelona.
Por Luiz SLY Balthazar
Há 7 anos da última apresentação, o My Bloody Valentine, a banda shoegaze por antonomásia, volta à ativa. Traz consigo sua melodia rumorosa, fria e bucólica como as colinas verdes de Dublin.
Para quem tem 40+ e sempre curtiu shoegaze, My Bloody está no Olimpo — e sabemos bem por quê. Com seu estilo barulhento vindo das guitarras e um vocal calmo, quase etéreo, já rendeu até uma tese na Florida State University College of Music.
Pois bem, ali estava eu, um dos poucos baianos atípicos, ansioso como um adolescente. Foi quando senti a onda sonora me pegar desprevenido e assustar, como uma explosão, o deslocamento de ar foi enorme. Eram só os primeiros acordes de “I Only Said”. Confesso que não estava preparado para a potência do som que vinha do palco.
Público? Lotado — sim, lotado — e outra boa surpresa: idades entre 20 e mais de 60. Sim, você leu certo: 60+. Show impecável, volume fora do comum e iluminação que remetia às cores dos discos, como o rosa clássico de Loveless e o azul-escuro de MBV. A banda tocou todo o seu repertório sem exclusão de golpes, 2 horas inteiras, mas foi com “Only Shallow” e “Soon” que temi que o edifício viesse abaixo — as paredes vibravam como caixas de som.
Algumas músicas menos conhecidas pelo público mais jovem também fizeram sua parte, criando o clima shoegaze sublime e romântico, volátil como na execução de “Only Tomorrow”.
Da minha posição, visualizei fãs bem jovens dançando com aquele som distorcido, hipnótico e selvagem. Vi outros fãs perto do palco em fúria, nos círculos velozes do mosh pit durante a execução de “Feed Me With Your Kiss”. Mas eu realmente não esperava que, na última música, todos os 6 mil presentes fossem ao delírio com “You Made Me Realise”! Catarse pura — e as idades já não tinham mais nenhuma importância. Kevin Shields soltou um solo de 6 minutos de distorção pura, e só os corajosos não taparam as orelhas.
Assim o show terminou… Uma breve menção a Mani, do The Stone Roses, que nos deixou na véspera do show — e das caixas começou a tocar “Waterfall” e só.
ROCK DISTORCIDO E ALTO. Bem-vindo de volta, MBV (MBV) — sentíamos sua falta.
Set List
I Only Said (Loveless)
When You Sleep (Loveless)
New You (MBV)
You Never Should (Isn’t Anything)
Honey Power (EP Tremolo – EP’s 1988–1991)
Cigarette in Your Bed (Doing It for the Kids)
Only Tomorrow (MBV)
Come in Alone (Loveless)
Only Shallow (Loveless)
Off Your Face (EP Glider – EP’s 1988–1991)
Thorn (EP’s 1988–1991)
Nothing Much to Lose (Isn’t Anything)
Who Sees You (MBV)
To Here Knows When (Loveless)
Slow (EP’s 1988–1991)
Soon (Loveless)
Wonder 2 (MBV)
Feed Me With Your Kiss (Isn’t Anything)
You Made Me Realise (EP You Made Me Realise – EP’s 1988–1991) –
Aproximadamente durante 8 minutos
Waterfall (música do The Stone Roses)







